domingo, 15 de janeiro de 2017

O MITO URBANO DE PAI DA DEMOCRACIA

Acho que a comunicação , tal como as novas formas de tecnologia, adeptas de frases bombásticas, criaram o mito do Mário soares, fundador do Partido Socialista. como pai da democracia. Acho que este título é demasiado grande para apenas uma pessoa. Acho que temos muitos pais e muitas mães da democracia portuguesa. Em primeiro lugar, todos os anti-fascistas que foram perseguidos, pela ditadura anterior ao 25 de Abril de 1974.
  Em seguida, os militares que derrubaram o regime. E após o 25 de Abril, todos os políticos dos diversos quadrantes políticos, deram o seu contributo para a construção da democracia, E como quero ser justo, não quero mencionar o nome de ninguém. A democracia é uma construção colectiva de um povo na sua vivência diária. Nas escolas, no trabalho, nas assembleias políticas, nos governos, na rua, em todo o lado.
  Quando alguém tenta individualizar uma construção colectiva, nega os princípios da vida e da história. Por detrás dos grandes condutores políticos estão pessoas que constroem diariamente o mundo. Casas, pontes, estradas, escolas, hospitais.
 Recordo uma ponte situada na capital do nosso país.Apelidada de Ponte Salazar, foi obra de engenheiros, arquitectos, operários que não tiveram direito ao seu nome naquela obra monumental. Ao ser substituído o nome da velha ponte, por Ponte 25 de abril, o poder instituído que introduziu a alteração, de uma forma subjectiva assumiu uma simbologia de homenagem à liberdade e à capacidade de construção do homem.  
 Escrevo este pequeno texto e olho para o fundo e vejo uma ponte. Uma ponte sobre o Rio Mondego. Uma ponte que já foi apelidada de Europa.Mas que agora, têm o nome oficial de Pedro e Inês. Um bom nome. Uma homenagem simbólica ao amor. Amor, liberdade e democracia, um triângulo perfeito.

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