sábado, 19 de setembro de 2020

 

Um amigo diferente


Era um rapaz com alguma rebeldia. As suas atitudes de ironia e sarcasmo perante os acontecimentos diarios, divergiam das minhas que levava tudo muito a sério. Mas segundo os sabios, os contrarios acabam por se atrair. E acabei por me tornar amigo daquele jovem.

    Com ele, acabei por desenvolver uma certa faceta de rejeição do autoritarismo e aprendi a adpotar uma visão ironica sobre a vida. Acho que a ele devo, ter deixado de ser tão sério e a encarar a vida com as suas contrariedades, de uma forma mais ligeira. Partilhamos excelentes momentos.  Momentos divertidos  e recordo com um sorriso nos labios,algumas historias.Mas a vida também nos obriga a assumir compromissos. Familia e trabalho.E o meu amigo, assumiu esse compromisso de uma forma militante. Sem perder a faceta divertida. As suas atitudes e reacções em publico , levaram uma amiga minha a declarar que o mesmo era parecido com um treinador de futebol português que em tempos foi designado de «Special one». E acabei por concordar com ela.

   Nunca tive muitos amigos. A minha vida também seguiu o seu percurso. Nos momentos menos bons que passei, acabava por procurá-lo. A boemia fazia parte do roteiro.acabava sempre por voltar as minhas rotinas mais aliviado.

   Ainda nos tempos recentes, continuo a fazer o mesmo. Mas de uma forma egoista, penso que ele esta menos engraçado. já não quer transgredir e ser irresponsavel como dantes. a que se deve esta transformação.penso que se deve a uma mulher que o amparou e acompanhou nos momentos mais dificeis e complicados. Uma mulher mais velha que o apoia e acompanha como uma verdadeira mãe. E que sabe aguentar as mudanças de humor menos positivas que o acompanham.

  uma homenagem a essa mulher. Uma força da natureza. Lutadora e amiga dos seus amigos.E que soube apoiar um amigo que nunca compreendeu a rotação do mundo. Porque na sua rebeldia e sarcasmo, nunca deixou de ser uma criança rebelde. As suas historias de criança e juventude, escutei-as milhares de vezes. Nunca me aborreceram, porque representam o outro lado da vida, menos cinzento e rotineiro. 

      

terça-feira, 16 de junho de 2020

Percurso na autoestrada

Passo um olhar rápido pelas noticias. como se tornou um hábito nos últimos tempos, a Internet passou a ser uma fonte de informações. Os jornais tornaram-se caros. procuro captar noticias de interesse. em tempos, gostava de ter sido um jornalista.
  A Internet também proporciona viagens. e historias de vida. Algumas mais interessantes que outras. mas historias de vida inseridas em determinado contexto.
  A historia que me captou o interesse foi a de um individuo que gostava de caminhar nas autoestradas. Detido algumas vezes pela policia, foi por diversas conduzido a instituiçoes psiauiatricas mas acabava sempre por ser solto.
  um louco, um doidinho. Alguém « que não jogava com o baralho todo». uma pessoa com uma perspectiva diferente da realidade. Que achava normal caminhar nas auto-estradas. gostaria de perceber o raciocinio deste homem. um alienado ou um homem livre. Alguém libertou uma frase que dizia« que de são e de louco, todos nós temos um pouco». por vezes, também sinto que passo essa fronteira. E depois parece que regresso ao mundo mormal. ou mundo, dito normal.Com regras e comportamentos padronizados.apetece-me dizer, por vezes. Viva a loucura.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Baptista Bastos - Onde o meu amigo estava no 25 de Abril

Aquele homem personificava  a cidade de Lisboa. Escritor, jornalista, homem de esquerda, intelectual, boémio e amante da vida. Com o seu eterno pappilon, uma especie de marca registada.
   Li alguns livros dele, mas recentemente voltei a «tropeçar» na Elegia para um Caixão Vazio. Acho que o li pela terceira vez. Escrito na primeira pessoa,  o Bastos é um homem que viveu intensamente o período da ditadura, participando em acções revolucionárias contra o regime. Contemporizando a sua acção  e o seu peso com a geração dos anos 60, com a qual se identifica. Uma geração com símbolos e ritos revolucionarios, nas suas próprias palavras.
    Mas o Bastos, personagem, é alguem  com um pensamento próprio que se identificava com determinados objectivos mas que não os interiorizava totalmente. A organização e objectivos concretos da distribuição de tarefas e tranformação da sociedade não o cativavam totalmente. O Bastos é um intelectual.
    Identifica-se com aquele sonho de transformação da sociedade dos anos 60 e consegue transportá-lo para as novas gerações. Porque vê na juventude um elo de renovação e reconstrução das aspirações e sonhos por uma nova sociedade.
    O Bastos, figura recreada numa personagem do Herman José com uma voz inconfundível e contando sempre episódios pitorescos da sua vida diária, em que uma frase lapidar se impunha no meio da conversa «Onde estava o meu amigo no 25 de Abril? ».
     O 25 de Abril, aquela data simbólica da conquista da  liberdade. Ponto de partida, de esperanças, sonhos e ilusões. Para a geração de 60, que lutou pela liberdade, representa o culminar de uma conquista preciosa e essencial. Liberdade, democracia e fim da guerra colonial.
      E o Baptista Bastos, questionando a todos sobre aquela data de uma forma aparentemente ligeira, mas afirmativa, inserindo imediatamente no espirito dos interlocutores a importância daquela data.
      O Baptista Bastos já partiu deste mundo. Mas no mundo dos espíritos, imagino-o a interrogar Deus. Onde é que o meu amigo estava no 25 de Abril?
 
 

sexta-feira, 1 de maio de 2020

1º de Maio

O 1º de Maio, dia do trabalhador, também pode servir para viajar na memória. Na memória, o 1º de Maio de 1974, em Coimbra. Um Estado Universitário, completamente cheio de pessoas que empunhavam bandeiras, cartazes, faixas e com um entusiasmo feito da descoberta do caminho da liberdade. Dias antes, o regime fascista tinha terminado. Os miltares comandados por Salgueiro Maia deram o golpe final naquele regime ditatorial. O povo fez o resto.
      Naquele 1º de Maio com a minha mãe. Eu com apenas 11 anos não percebia nada de política. O meu único desejo era o regresso do meu pai das longíquas terras africanas. Para uma criança, aquela revolucão de Abril, representava o fim da guerra e o regresso do meu pai.
       Com o passar dos anos, começei a compreender a importância do 1º de Maio e começei de uma forma regular a participar nas comemorações do dia do trabalhador. A importância da luta e dos direitos dos trabalhadores dava-me força para sair à rua.
        Mas recordo um recente 1º de Maio no ano de 2012. Em que uma cadeia de distribuição alimentar resolveu fazer uma promoçãode preços, naquele dia que deveria ser um dia feriado, onde o comércio deveria estar encerrado para descanso dos trabalhadores a que este dia é dedicado.
        Hoje, 1º de Maio de 2020 a epidemia  COVID, levou a novas formas de comemoração do dia. Pela Internet ou na rua com o devido distanciamento. Sem manifestações mas com a convicção de que a luta pelo trabalho e por direitos, mantêm-se sempre actual. 

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Porque gosto de comboios?

Viajo diariamente de comboio. É um transporte seguro que permite fazer uma viagem cómoda, onde podemos ler, ouvir música e conversar com companheiros de viagem.
   E no entanto, não me canso de viajar de comboio. Já viajo diáriamente de comboio, entre a minha casa e o trabalho há cerca de 20 anos. Além disso,  há cerca de 11 anos, fui fazer uma viagem pela Europa. Como ? De comboio, pelo InterRail.
  Vasculho a minha memória. Quando era criança, cheguei a dormir  em casa de amigos dos meus pais que residiam perto da linha de Lousã ( agora extinta). Para além disso,  também visitava regularmente a minha avó que residia numa localidade do Norte. A sua casa ficava junto à linha.
  Quando me deitava, o som nocturno dos comboios a apitar, ou simplesmente o barulho da sua circulação, levava-me a sonhar. Tal como Álvaro de Campos ( heterónimo de  Fernando Pessoa) imaginava o percurso e a viagem daqueles comboios nocturnos.
  Mas não ficava infeliz ao ouvir aqueles sons. Como jovem, tinha uma imaginação fértil e imaginava percursos, lugares e pessoas viajando de diferentes maneiras e percorrendo diversos lugares. Viagens  de pessoas aventureiras, detectives, ladrões, turistas e também pessoas comuns.
  Claro que a literatura também ajudou neste encanto pelo comboio. Os famosos livros policiais, ocorridos em viagens de comboio, como o crime de Expresso Oriente.
  Em jeito de conclusão, apenas diria que a minha viagem de sonho, seria efectivamente no Expresso Oriente ou no Transiberiano.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Ribeira de Lorvão

Uma caminhada na Ribeira de Lorvão.Já foi há algum tempo. Mas como agora, tenho algum tempo, vou tentar recordar.
    Partindo da localidade de Lorvão, com o seu famoso Mosteiro localizado no fundo de um vale verdejante.Podemos visitar a Igreja, um templo barroco com o seu famoso orgão de 2 faces, que quando é tocado, «inunda» o interior da Igreja com o seu som forte e cristalino.Um mosteiro com origem no século VI. Um centro de produção de manuscritos iluminados. Mais tarde, passou a Mosteiro feminino da ordem de Cister.
    Para dar energia a uma caminhada longa, tomei um café acompanhado de dois doces conventuais. Um pastel de Lorvão e uma nevada. E depois lá me pus ao caminho.
    A  ribeira de Lorvão, atravessa uma zona onde podemos encontrar  árvores de pequeno porte, próprias de zonas húmidas, como acácias e salgueiros. Também passei por um moinho de água, ligado á extracção de água para fins agrícolas.Algumas quedas de água estão dispersas na vegetação.
   O caminho é feito de por um pequeno trilho no meio da vegetação.É preciso ter cuidado onde se põe os pés. Um caminho fascinante. Durante o percurso sou acompanhado do som dos pássaros.
    Fui ter à localidade de Chelo e depois aproveitei para visitar a Fonte Santa da irmã Zulmira que em tempos passados prvocou uma autêntica romaria, devido aos seus eventuais poderes de advinhação.
    Um pequeno local de culto com muitas placas de caracter religioso e de agradecimento à irmã, colocadas debaixo de um pequeno telheiro. Um lugar calmo e aprazível, onde nos podemos sentar e descansar.
    Mais tarde, acabei por participar  numa caminhada solidária , onde percorri este percurso. Foi uma caminhada em grupo, com um objectivo solidário. Uma caminhada diferente, onde imperou o convivio e a descontracção.
    Mas também tive a oportunidade  de escutar e aprender  o funcionamento  e a actividade de um moinho de água. Actividades agrícolas e ancestrais num Portugal rural e profundo. Mais uma viagem.
 

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Passagem pelo Choupal

O Choupal é uma floresta situada à entrada de Coimbra. É um lugar mágico, com árvores de diferentes tipos e diferentes portes. Se caminharmos devagar e com alguma atenção, podemos ver esquilos e apreciar a.ves de rapina nos seus voos rasantes.
   Hoje arrisquei e caminhei mais um pouco. Atendendo à epidemia actual que grassa no mundo, a mata do Choupal encontra-se interdita para evitar grandes concentrações de pessoas.
   Então tive que caminhar pelo lado exterior da floresta mágica. Passei o Hipódromo e continuei. Tudo me fascina quando caminho. Os pensamentos giram num círculo vicioso mas consigo apreciar a paisagem exterior. Os campos cultivados, os canais de rega e as cegonhas com os seus ninhos nos postes de electricidade. O equilibrio perfeito entre a natureza e o homem. E fui caminhando.Até à estrada principal que liga Coimbra a Figueira da Foz. Cheguei à localidade de S. Silvestre.
  Aí a paisagem mudou. Os carros e alguma poluição sonora e atmosférica. O cansaço também já me invadia o corpo de uma forma intensa. Mas um cansaço óptimo.
  Num dos canais de rega, vi alguém com uma cana de pesca. Um grupo de jovens que passou num carro, fez-me sinal de forma ruidosa. Respondi com um aceno e lembrei-me logo do senhor do adeus.( um senhor de provecta idade em Lisboa, provavelmente solitário e que se colocava numa esquina de uma rua, dizendo adeus a todos os automobilistas que passavam).
  Acelerei o passo. Passei a zona das estufas, a fábrica Gomase, o bairro dos ciganos e o Centro de Treinos da Académica. Uma caminhada de cerca de 3 horas. Penso que andei perto de 20 Km.Gostei da entrada final na cidade de Coimbra, pela zona da estação dos comboios.
  Ao caminhar, consigo apreciar de forma diferente aquilo que passa despercebido a quem utiliza o automovel e ultrapassa os sítios de forma rápida.
  Já em casa, um banho quente. Reflicto sobre este meu hábito de caminhar que é a minha verdadeira terapia de saúde mental. Apenas isso.

domingo, 19 de janeiro de 2020

coimbra, 19 de Janeiro de 2020

Vivemos uns tempos, de afirmação de vaidades e egos, pelo lado virtual. A crescente importância das redes sociais na vida das pessoas, teve um efeito positivo de uma certa forma. Podemos reencontrar amigos e familiares desaparecidos. Podemos agrupar-nos em grupos de interesse comuns. mas também encontramos que destilam odios e venenos que podem ter efeitos muito negativos, quer em termos sociais , quer até em termos politicos.
E depois, temos aquelas pessoas que veiculam pensamentos e ideias, anacronicos e egoistas e que caracterizam e classificam , «os outros» . São os donos da « verdade». para essas pessoas  não tenho nenhuma paciencia. Já não os bloqueio, nem apagam do meu grupo de amizades. simplesmente ignoro.
tenho uma ideia romantica da Internet. A tal viagem no reino virtual. Onde podemos obter conhecimentos e conhecer de uma forma saudavel outras pessoas. com o objectivo de um mundo mais saudavel, e amistoso entre as pessoas. No fundo, um mundo melhor.