segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A minha vida na aldeia

Sempre fui um citadino. Nasci na cidade. desde miúdo, criei o hábito de passear pelas ruas da cidade, entrar nos estabelecimentos comerciais citadinos, ir ao cinema, ao futebol e praticar desporto nos parques da cidade. Enfim, uma vida urbana.Quando decidi, por questões financeiras e outras, comprar um apartamento numa zona rural a 12 Km da cidade. encontrei um ambiente diferente. Terrenos cultivados, tractores circulando nas ruas da aldeia. um odor campestre, com o cheiro apelativo dos produtos da terra, dos eucaliptos, acácias e pinheiros. Os animais do campo, os pássaros, enfim, um mundo novo que não temos na selva urbana.
  Ao fim de  dezasseis anos de aldeia, continuo a ter hábitos citadinos. Não me converti nem à agricultura, nem à pastorícia.Apenas frequento os pequenos cafés da aldeia. Quando necessito de fazer compras, desloco-me de carro para a cidade. Mas tento ser cordial com as pessoas e reconheço que as pessoas ao principio, assumiam uma atitude desconfiada mas com o desenrolar das conversas, tornam-se bastante cordiais.
  A pessoa que melhor conheço é o Sr. Teixeira. Possui um pequeno café no centro da aldeia. um café, um pouco escuro e sem grandes comodidades ao nível de mobiliário.Um típico café da aldeia mas com sala de jogos. um pouco de encontro das pessoas.Habituei-me a lá ir ver os jogos de futebol. E gosto, pela simpatia e hospitalidade do senhor. A esposa, Senhora Rosa que me costuma oferecer produtos da sua horta. Quando os meus filhos, eram pequenos, gostava de lhes oferecer rebuçados.. O café  é pouco frequentado pelas pessoas da aldeia e aí reside o seu encanto . Posso ficar bastante tempo a conversar com o Sr. Teixeira.é um bom contador de histórias e eu sou um bom ouvinte.Gosta de falar da sua juventude, e claro da sua aldeia e das pessoas que ali residem. Tenho é dificuldade em aprender os nomes das pessoas mas aprendo os hábitos  e costumes da terra.
Por isso, já me considero um filho da terra, as minhas viagens recentes limitam-se ao espaço em redor da minha casa. A minha aldeia, também me permite viajar e viandar. Aveleira, a 12 Km de Coimbra.Nos dias de Inverno, com o céu bastante limpo, consigo ver a neve no topo da serra da Estrela. e nesses dias raros, sinto uma enorme satisfação e uma paz interior, por ter encontrado este pequeno paraíso agreste às portas da cidade de Coimbra.






Se

domingo, 15 de janeiro de 2017

O MITO URBANO DE PAI DA DEMOCRACIA

Acho que a comunicação , tal como as novas formas de tecnologia, adeptas de frases bombásticas, criaram o mito do Mário soares, fundador do Partido Socialista. como pai da democracia. Acho que este título é demasiado grande para apenas uma pessoa. Acho que temos muitos pais e muitas mães da democracia portuguesa. Em primeiro lugar, todos os anti-fascistas que foram perseguidos, pela ditadura anterior ao 25 de Abril de 1974.
  Em seguida, os militares que derrubaram o regime. E após o 25 de Abril, todos os políticos dos diversos quadrantes políticos, deram o seu contributo para a construção da democracia, E como quero ser justo, não quero mencionar o nome de ninguém. A democracia é uma construção colectiva de um povo na sua vivência diária. Nas escolas, no trabalho, nas assembleias políticas, nos governos, na rua, em todo o lado.
  Quando alguém tenta individualizar uma construção colectiva, nega os princípios da vida e da história. Por detrás dos grandes condutores políticos estão pessoas que constroem diariamente o mundo. Casas, pontes, estradas, escolas, hospitais.
 Recordo uma ponte situada na capital do nosso país.Apelidada de Ponte Salazar, foi obra de engenheiros, arquitectos, operários que não tiveram direito ao seu nome naquela obra monumental. Ao ser substituído o nome da velha ponte, por Ponte 25 de abril, o poder instituído que introduziu a alteração, de uma forma subjectiva assumiu uma simbologia de homenagem à liberdade e à capacidade de construção do homem.  
 Escrevo este pequeno texto e olho para o fundo e vejo uma ponte. Uma ponte sobre o Rio Mondego. Uma ponte que já foi apelidada de Europa.Mas que agora, têm o nome oficial de Pedro e Inês. Um bom nome. Uma homenagem simbólica ao amor. Amor, liberdade e democracia, um triângulo perfeito.