Che Guevara e Jim Morrison
mas que titulo estranho. E estranha esta associação. Mas e uma associação individual que faz parte do meu mundo mental. Não sou um ser dinâmico e extrovertido.Mas tenho uma personalidade inquieta e idealista, fruto de leituras que fiz durante a minha infância e juventude.Associado a isso vi muita televisão. Eu era um rapaz solitário e já na escola em brincadeiras infantis, procurava de uma forma desastrada conduzir pequenas revoltas.Relembro pequenos episódios que não resultaram, por eu não ter um espírito de líder.A minha revolta sempre foi interior.E durante a minha infância e juventude, por vezes explodia de formas menos correctas. Ainda hoje, com 50 anos, mais calmo e maduro, por vezes «expludo« de uma forma irreflectida. Por vezes, sinto-me um autentico vulcão. Mas tenho o meu lado bom e idealista, associado a uma rebeldia constante.Dai a associação entre Che Guevara e Jim Morrison.
A revolução do 25 de abril de 1974, entrou na minha vida com 11 anos. Um dos meus irmãos mais velhos, naquele período fabuloso do PREC, aproximou-se do Partido Comunista. E começou a levar para casa dos meus pais livros e discos de carácter politico. E lentamente, acabei por absorver alguns ideais comunistas e revolucionários.
Che Guevara, do qual apenas li um pequeno livro biográfico, encantou-me de imediato.O seu percurso de vida. desde a sua viagem pela América Latina, onde despertou a sua sensibilidade para o combate as injustiças do mundo, passando pela sua luta revolucionaria em Cuba, ate a sua morte na Bolívia. Tenho hoje, plena consciência que se criou um mito, com base numa celebre fotografia. A sociedade de consumo actual e o sistema capitalista absorveram este mito. Que aparece em camisolas, bonés, t-shirts, etc, etc. Mas e um mito que desperta a sede de justiça e de luta contra a desigualdade de milhões de pessoas, em todo o mundo. Uma chama imensa que não se apaga e que preenche os corações das pessoas.E um sonho sempre presente, por um mundo melhor.
Bem diferente, é o mito Jim Morrison. Ainda hoje é idolatrado por milhões de pessoas em todo o mundo. Um musico, um poeta que não calava a sua voz, perante o autoritarismo da sociedade americana.Nas suas canções e poemas, ele falava de uma outra revolução.Da revolução interior em cada pessoa. Uma revolução dos sentidos. E desafiava as autoridades. Os concertos dos Doors eram escandalosos e provocatórios. E Jim era um líder. Um líder de palavras e de canções.Os Doors e Jim Morrison, conduziam-me a um outro lado da revolta.se vivemos num mundo que nos oprime, devemos lutar contra a face mais visível dessa opressão. A autoridade e a policia.A policia limitava-se a serem escravos» nas mãos dos poderosos . Palavras de Jim Morrison.
Dois mitos, duas faces de uma moeda. Em suma, este mundo e esta sociedade em que vivemos conduz as pessoas a um sentimento de insatisfação e impotência.Dai necessitarmos de mitos. Mitos revolucionários, mitos de rebeldia. Che Guevara e Jim Morrison. E no fundo da estrada e do túnel, o sonho. O tal sonho que comanda a vida, como escreveu o poeta português, António Gedeão.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
sábado, 9 de agosto de 2014
Meursault- o homem absurdo
A historia de um homem absurdo: Meursault, a personagem criada por Albert Camus, no seu romance o Estrangeiro, fascinou-me desde a primeira leitura. Jovem adulto, a trabalhar longe de casa, a viver nuns contentores pertencentes a empresa para a qual trabalhava, aquela historia de um homem despojado, alheio ao mundo exterior e que colocou a sua própria mãe num asilo, por já não ter nada para falar com ela e que revela uma atitude aparentemente insensível durante o funeral da sua mãe, acabando por ter um fim trágico ao ser condenado a morte, por ter assassinado um homem árabe, numa praia por um motivo fútil, nomeadamente por se ter encadeado com a luz solar, insinuava-se de uma forma estranha na minha vida pessoal. Sentia-me um Meursault, isolado da família e a viver num local estranho, com pessoas estranhas, embora naturalmente simpáticas.
O trabalho que desempenhava naquele local estranho não era muito pesado. Trabalhava como segurança.E acabei por viver momentos humanos intensos naquela fabrica.Alguns pequeno-trágicos, outros comoventes e por fim alguns engraçados e ate hilariantes. Mas nos momentos de retiro e solidão, a empatia que sentia com Meursault era total. A minha indiferença perante o mundo exterior e perante as pessoas era enorme. Lembro-me que na altura vivia com os meus pais. A casa paterna ficava a uns 50 Km.As minhas folgas eram apenas de um dia, por semana. Não tinha transporte próprio e estava dependente dos transportes públicos que ao fim de semana não existiam. Por isso, ficava por ali.E não me sentia infeliz. Falava com os empregados do restaurante que frequentava, com alguns operários e com os colegas que me subsistiam nos turnos.Conversas triviais com pessoas simples e sem objectivos definidos mas que me preenchiam por completo.Quando não tinha ninguém com quem conversar, regressava ao meu contentor e folheava as paginas do Estrangeiro. Lia e relia. E sublinhava parágrafos e frases.E sentia-me feliz e em paz com o mundo.Porque, tal como Meursault, passava apenas a ser um elemento natural deste mundo, tal como uma árvore, um rio, ou uma montanha. e não temia a solidão, a doença e a morte.
A historia de um homem absurdo: Meursault, a personagem criada por Albert Camus, no seu romance o Estrangeiro, fascinou-me desde a primeira leitura. Jovem adulto, a trabalhar longe de casa, a viver nuns contentores pertencentes a empresa para a qual trabalhava, aquela historia de um homem despojado, alheio ao mundo exterior e que colocou a sua própria mãe num asilo, por já não ter nada para falar com ela e que revela uma atitude aparentemente insensível durante o funeral da sua mãe, acabando por ter um fim trágico ao ser condenado a morte, por ter assassinado um homem árabe, numa praia por um motivo fútil, nomeadamente por se ter encadeado com a luz solar, insinuava-se de uma forma estranha na minha vida pessoal. Sentia-me um Meursault, isolado da família e a viver num local estranho, com pessoas estranhas, embora naturalmente simpáticas.
O trabalho que desempenhava naquele local estranho não era muito pesado. Trabalhava como segurança.E acabei por viver momentos humanos intensos naquela fabrica.Alguns pequeno-trágicos, outros comoventes e por fim alguns engraçados e ate hilariantes. Mas nos momentos de retiro e solidão, a empatia que sentia com Meursault era total. A minha indiferença perante o mundo exterior e perante as pessoas era enorme. Lembro-me que na altura vivia com os meus pais. A casa paterna ficava a uns 50 Km.As minhas folgas eram apenas de um dia, por semana. Não tinha transporte próprio e estava dependente dos transportes públicos que ao fim de semana não existiam. Por isso, ficava por ali.E não me sentia infeliz. Falava com os empregados do restaurante que frequentava, com alguns operários e com os colegas que me subsistiam nos turnos.Conversas triviais com pessoas simples e sem objectivos definidos mas que me preenchiam por completo.Quando não tinha ninguém com quem conversar, regressava ao meu contentor e folheava as paginas do Estrangeiro. Lia e relia. E sublinhava parágrafos e frases.E sentia-me feliz e em paz com o mundo.Porque, tal como Meursault, passava apenas a ser um elemento natural deste mundo, tal como uma árvore, um rio, ou uma montanha. e não temia a solidão, a doença e a morte.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Queima das Fitas
O final do ano de 2013 e este ano de 2014, ficou marcado por uma série de tragédias associadas às praxes académicas. Meco e Braga.Paralelamente, realizaram-se debates, escreveram-se artigos nos jornais, houve reportagens na tv, etc, etc.
Com esta agitação toda, infelizmente associada a várias tragédias, desejava que as pessoas repensassem os modelos de praxe em vigor. Praxes saudáveis que levem a uma verdadeira integração dos novos alunos, em vez de praxes de humilhação que apenas servem os interesses dos praxantes que procuram vingar-se de quem os praxou, em anos anteriores. Os códigos de praxe, são apenas letra morta porque não conseguem impedir o que se passa na realidade nas nossas cidades universitárias.
E o mais preocupante é a mentalidade e a atitude de alguns jovens universitários que acham normal as humilhações e consideram uma verdadeira forma de entrar no mundo real.Futuramente, este jovens serão uns cidadãos apáticos e subservientes perante o poder que esmagará os seus direitos e liberdades. Tudo em nome da aceitação passiva de uma hierarquia irracional e brutal.
Por isso e por tudo o mais, deverão os jovens estar atentos. Uma praxe de integração, sim. Uma praxe de humilhação, não.
O final do ano de 2013 e este ano de 2014, ficou marcado por uma série de tragédias associadas às praxes académicas. Meco e Braga.Paralelamente, realizaram-se debates, escreveram-se artigos nos jornais, houve reportagens na tv, etc, etc.
Com esta agitação toda, infelizmente associada a várias tragédias, desejava que as pessoas repensassem os modelos de praxe em vigor. Praxes saudáveis que levem a uma verdadeira integração dos novos alunos, em vez de praxes de humilhação que apenas servem os interesses dos praxantes que procuram vingar-se de quem os praxou, em anos anteriores. Os códigos de praxe, são apenas letra morta porque não conseguem impedir o que se passa na realidade nas nossas cidades universitárias.
E o mais preocupante é a mentalidade e a atitude de alguns jovens universitários que acham normal as humilhações e consideram uma verdadeira forma de entrar no mundo real.Futuramente, este jovens serão uns cidadãos apáticos e subservientes perante o poder que esmagará os seus direitos e liberdades. Tudo em nome da aceitação passiva de uma hierarquia irracional e brutal.
Por isso e por tudo o mais, deverão os jovens estar atentos. Uma praxe de integração, sim. Uma praxe de humilhação, não.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Qual é o problema deste Vasco?
na infância tive um amigo chamado Vasco. Filho da vizinha. Uma pequena diferença de idades. Mas eramos amigos e por acaso a minha mãe, a saudosa D.Flora, chegou a tomar conta do Vasquinho.Chamava a minha mãe de Fofoia. cenas fixes do passado que ainda consigo recordar-me.
Além disso lembro-me do célebre Vasco Santana, com quem me ri bastante.Isto para não falar do nosso navegador, Vasco da Gama.Por isto tudo, este Vasco Pulido Valente, irrita-me bastante. Escreve umas crónicas no Jornal Público em que os assuntos abordados são sempre os mesmos. Uma espécie de mito do eterno retorno, em que a velha questão das esquerdas, do marxismo, 25 de Abril, socialistas, comunistas, etc, etc, estão sempre presentes. Na sua última crónica, acho que tive um ataque de riso.
Então, o senhor intelectual, Vasco Valente afirma que os esquerdistas e os marxistas lutam por sonhos perdidos ois a democracia burguesa triunfou e eles ainda não entenderam isso. E remata com um parágrafo sublime e de fino recorte literário. Afirma em tom absoluto que não vai mais perder nem um minuto com essas pessoas de esquerda, marxistas-leninistas, etc.
Então, o nosso intelectual assegura o seu ganha-pão, num jornal diário, onde se entretêm a « descascar forte e feio» nas ditas criaturas de esquerda e agora afirma que não vai perder nem mais um minuto com essa gente.
Pense bem, amigo Vasco Valente. Olhe que ainda fica desempregado, pois deixa de ter assunto para as suas crónicas habituais.Saudações revolucionárias, deste revolucionário de algibeira e de facebook.
na infância tive um amigo chamado Vasco. Filho da vizinha. Uma pequena diferença de idades. Mas eramos amigos e por acaso a minha mãe, a saudosa D.Flora, chegou a tomar conta do Vasquinho.Chamava a minha mãe de Fofoia. cenas fixes do passado que ainda consigo recordar-me.
Além disso lembro-me do célebre Vasco Santana, com quem me ri bastante.Isto para não falar do nosso navegador, Vasco da Gama.Por isto tudo, este Vasco Pulido Valente, irrita-me bastante. Escreve umas crónicas no Jornal Público em que os assuntos abordados são sempre os mesmos. Uma espécie de mito do eterno retorno, em que a velha questão das esquerdas, do marxismo, 25 de Abril, socialistas, comunistas, etc, etc, estão sempre presentes. Na sua última crónica, acho que tive um ataque de riso.
Então, o senhor intelectual, Vasco Valente afirma que os esquerdistas e os marxistas lutam por sonhos perdidos ois a democracia burguesa triunfou e eles ainda não entenderam isso. E remata com um parágrafo sublime e de fino recorte literário. Afirma em tom absoluto que não vai mais perder nem um minuto com essas pessoas de esquerda, marxistas-leninistas, etc.
Então, o nosso intelectual assegura o seu ganha-pão, num jornal diário, onde se entretêm a « descascar forte e feio» nas ditas criaturas de esquerda e agora afirma que não vai perder nem mais um minuto com essa gente.
Pense bem, amigo Vasco Valente. Olhe que ainda fica desempregado, pois deixa de ter assunto para as suas crónicas habituais.Saudações revolucionárias, deste revolucionário de algibeira e de facebook.
terça-feira, 4 de março de 2014
sábado, 1 de março de 2014
Memórias- 1
Recentemente, li num jornal português que um escritor nórdico ao passear numa rua de uma cidade portuguesa, encontrou uns negativos de fotografias referentes a uma familia portuguesa num contentor do lixo, resolvendo fazer um documentário sobre a vida daquela família.
Uma pequena ficção. Aquela família que se lhe apresentava diante do seu olhar de escritor, naqueles negativos fotográficos era-lhe totalmente estranha. Teve acesso a fotografias de uma família em férias, festas de aniversário, passeios ocasionais e outro tipo de acontecimentos familiares. Construiu uma narrativa, sem conhecer aquelas pessoas.
Recentemente, li num jornal português que um escritor nórdico ao passear numa rua de uma cidade portuguesa, encontrou uns negativos de fotografias referentes a uma familia portuguesa num contentor do lixo, resolvendo fazer um documentário sobre a vida daquela família.
Uma pequena ficção. Aquela família que se lhe apresentava diante do seu olhar de escritor, naqueles negativos fotográficos era-lhe totalmente estranha. Teve acesso a fotografias de uma família em férias, festas de aniversário, passeios ocasionais e outro tipo de acontecimentos familiares. Construiu uma narrativa, sem conhecer aquelas pessoas.
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