quinta-feira, 9 de setembro de 2021

 A loucura


As pessoas loucas e as que sofrem de defices cogntivos são normalmente estigmatizadas pela sociedade. Tal como outras pessoas pelos mais diferentes motivos.

    A pessoa que é diferente não se enquadra naquilo que é considerado normal pela sociedade e é sempre vista como um elemento estranho, acabando normalmente por ser desprezada, ridicularizada e por vezes alvo de maus tratos. Por ser uma matéria que sempre me captou a atenção, os filmes que abordaram estas temáticas, foram aqueles que mais me marcaram positivamente e que eu os identifico como obras primas do cinema, porque me proporcionaram momentos únicos de espectaculo cinematográfico.

  Recordo « Voando Sobre um Ninho de Cucos» com Jack Nickolson e o mais extrordinário de todos, « Forrest Gump» com o genial Tom Hanks. Este filme é ahistória de um homem com um pequeno défice cognitivo mas com uma genialidade « fora do comum«que lhe permite aprender as tarefas e actividades mais simples de uma forma completamente descomplicada que o levam a ser campeão desportivo, em modalidades como ténis de mesa e atletismo.

  Penso que este filme é também uma homenagem ás pessoas diferentes, com as quais nos cruzamos diariamente e que não visualizamos e ignoramos de forma sistematica.claro que a extraodinaria interpretação do actor Tom Hanks ajudou ao exito do filme.

Quanto á loucura é algo que me fascina, pois encontramos pessoas com capacidades extraordinarias e cuja sensibilidade é levada ao limite,. Compreendo e por vezes, identifico-me com estas pessoas. costumava trautear uma letra de uma canção dos Taxi, bando nortenha dos anos 80 quando me sentia fragil e e incompreendido. « É-me igual que me vejam louco.´É-me igual que façam pouco. Para mim, nada me faz mal». versos importantes porque a nossa individualidade deve sempre ser respeitada, algo que por vezes a sociedade não sabe reconhecer.


   


sábado, 10 de julho de 2021

 Geografia Pessoal-Urbanização do Gorgulão


    Quando me separei da minha mulher, tentei procurar um pequeno apartamento, junto à estação dos comboiose que me permitisse poupar algum dinheiro.

    Por isso, aluguei um apartamento T1, bem perto da estação dos comboios. Não precisava de utilizar o automovel com muita regularidade e poupava algum dinheiro. Foram 2 anos e três meses de Urbanização do Gorgulão. O andar era simpatico. Sem varandas mas com muitas janelas. Os andares em redor eram extremamente vistosos com as varandas a acompanhar a estrutura dos edificios. Alguns dos vizinhos dos predios em frente, habitualmente almoçavam na varanda. Alguns até ali deixavam os seus animais de estimação, para poderem circular à vontade.

    Para além da proximidade com a estaçãodos comboios, também tinha a proximidade com a Mata do Choupal.Um « pulmão verde da cidade», onde me habituei a ir para carregar as minhas »baterias». Por diversas vezes, a solidão preenchia de forma intensaos meus dias. Descobri uma« forma de tentar fintar a solidão». O trabalho. Tentava permanecer o mais tempo possivel no local de trabalho.

    Quando chegava a casa e ainda era de dia, sentia-me um pouco angustiado e « perdido». Então, calçava as minhas sapatilhas, vestia uns calções, uma tshirt e um fato de treino se estivesse mais frio e lá ia fazer as minhas caminhadas.Estas caminhadas passaram a ser o meu «anti-stress».

    Quando caia a noite, aceitava  bem a solidão. A televisão, o computadore alguns livros preenchiam as minhas noites solitárias. Durante estes 2 anos, tive alguns relacionamentos amorosos mas que não me preencheram por completo. Também nunca soube cortar «as amarras» com a minha ex-mulher.

    E depois, as minhas angústias financeiras. Cheguei a ter apenas 50 cêntimos na carteira. Não tinha sequer dinheiro para um café. Era obrigado a uma enorme «ginástica financeira» até ao dia de receber o ordenado.

    Num certo domingo, fui com um enorme desalento caminhar para o choupal e passei pela zona do hipódromo.Nem dinheiro tinha para um café. De repente, vejo uma moeda de um euro no chão. Tal como um pobre mendigo dei um grito de alegria. Apanhei a moeda e após a caminhada fui até ao estabelecimento comercial mais perto, para tomar um café. Acho que foi o café mais saboroso de que me recordo.

    Ainda em relação ao Gorgulão, cheguei a desenvolver algumas relações de amizade. Com a Sr.ª Ana, proprietaria de um café na Estrada de Eiras e com o Paulo, um rapaz que frequentava assiduamente o referido café ( e que já conhecia da localidade das Torres do Mondego, tendo sido casado com uma colega da minha ex-mulher). Com eles , chegava a manter algumas conversas de ocasião , quando ali me deslocava.

    Naquele apartamento, cheguei a ter uma gata  e que acabou por morrer, após uma tentativa falhada de esterilização efectuada por um senhor com muita experência nessa actividade mas que delarou que ela se encontravs prenha, tendo-lhe feito um aborto. Quando trouxe a gata para casa, ela durante a noite sentiu-se mal e acabou por morrer.O mais estranho disto tudo é que o animal nunca saiu de casa. Acho que é um misterio digno de Sherlock Kolmes.

    Acho que estes 2 anose três meses de Gorgulão  que se localizam na zona norte da cidade de Coimbra, foram anos de chumbo. Esta zona da cidade não faz parte da minha memoria geografica afectiva. Onde eu gostava de voltar a residir seria na Casa Branca. E «ouro, sobre azul, seria na antiga casa onde vivi com os meus pais». Mas isso é um sonho impossivel. só ganhando um jogo da sorte é que poderia voltar a residir numa zona extremamente cara da cidade.

    Foi um estagio da minha solidão. Parti em Maio de 2021, para os Açores. um novo local de trabalho, um sítio diferente. Aqui a solidão é diferente. Só tenho o telefone ou o email e as redes sociais para contactar com os amigos e familiares. As cartas deixaram de ter uso. Mas não tenho ilusões e sinto-me mais forte. Uma solidão na nossa cidade é muito mais angustiante e triste.



    

 Geografia Pessoal-Aveleira/Penacova


    Após 2 anos em Almada a residir em Almada, regressámos a Coimbra. Comprámos um andar no concelho de Penacova, localidade da Aveleira.

    No alto de uma serra com o mesmo nome, a decisão da compra não foi fácil. Quando fomos ver o terreno, onde ia ser construído o andar apanhámos um nevoeiro bastante grande que não permitia grande visibilidade na estrada. E a estrada, era uma estrada de serra em muito mau estado de conservação, sem faixa separadora e com poucos rails de protecção.

    Mas a simpatia do agente imobiliário , Sr. Cardoso ( a quem tratavam todos de uma forma respeitosa, por Dr. Cardoso) e que nos assegurou ter a informação sobre obras de reparação e alargamento  da estrada para 2 vias, acabou por nos convencer á compra. O preço também era aliciante. A mudança para uma aldeia situada a 12 KM de Coimbra, acabou por ser uma mudança radical, para quem estava habituado a uma vida citadina. Mas nos primeiros anos, procurei conhecer  os lugares envolventes, com destaque para os centros artesanais de produção de farinha e de pão, do sec. XIX e grande parte do século XX.Os moinhos.Alguns desse moinhos de vento ainda estavam bem conservados e eram utilizados pelos seus proprietários para moer alguns cereais.Junto à aldeia, num lugar aprazível havia um moinho de água, com  algumas mesas de piquenique e algumas sombras proporcionadas pelas arvores que ali se encontravam. Um local utilizado pelos habitantes e por alguns visitantes da aldeia.

No fundo, nunca me integrei na aldeia. Eu e a minha família, fazámos a vida de cidade. A Aveleira era um dormitório para nós. Não tinhamos ligações à aldeia, tal como alguns outros moradores do prédio. O predio tinha uma cobertura superior em PVC transparente que dava maior visibilidade á zona interior do prédio mas que após alguns anos se revelou inapropriada para o local, devido ao tempo mais agreste daquela região de serra. Certo dia, falei com o construtor  e ele assegurou-me que era uma estrutura igual á que tinha sido utilizado no Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa. Apenas lhe lembrei que o clima em Lisboa era mais suave e temperado e sem grandes ventanias. Pouco tempo depois, num daqueles temporais fortes a cobertura rompeu e teve que ser substituido por outra com um material mais resistente.

    Perto da Aveleira, no fundo de um vale verdejante, ficava a sede de freguesia, a vila de Lorvão. Uma vila histórica, junto de um mosteiro com o mesmo nome da vila. Um centro histórico ligado á produção de manuscritos enquanto mosteiro masculino da Ordem dos Beneditinos e mais tarde mosteiro feminino da Ordem de Cister com uma entrada e interior da igreja em estilo barroco e com um fenomenal orgão de tubos. Paralelamente a isso, a tradicional doçaria conventual, feita pelas religiosas como o pastel de Lorvão e as nevadas.

    Qunado fui residir para a Aveleira, no edificio contíguo  à Igreja e ao mosteiro, ainda funcionava o Hospital Psiquiatrico de Lorvão.Os « loucos pacíficos» deambulavam pelas ruas que circundavam o mosteiro e o Hospital Psiquiátrico que funcionava numa das alas do edificio. Estavam completamente integrados na vivência da localidade. Alguns assumiam posturas de « homens profissionais», nomeadamente, dirigindo o trânsitoe o estacionamento dos veículos. Outros pediam dinheiro e cigarros. Um certo dia, fui lá com uma pessoa amiga que se apresentava de uma forma mais simples e que tinha alguns problemas de alcoolismo. Pela sua forma de estar, um dos « loucos pacificos; considerou-o um compincha» e então abordou-o com uma pergunta directa:- Então pá, deixaram-te sair?. O meu amigo ficou um pouco atónito, encolheu os ombros e sorriu.  Anos mais tarde, aquele Hospital foi encerrado e os doentes foram transferidos para outros locais do país. Lorvão ficou mais deserta e mais silenciosa. A vila perdera parte da sua alma. Os « loucos« já  faziam parte do espirito da vila.

    Após  7 anos a residir numa zona de predios da aldeia da Aveleira, voltei a encontrar esse amigo da agência imobiliaria. E falou-me, num projecto de construção numa outra zona da aldeia. Um projecto de condomínio fechado. Como também já estava a ficar um pouco farto de residir no outro prédio e como este projecto englobava uma área maior, com zonas comuns bastante atractivas, aderi ao projecto. Gostei bastante desta nova habitação. Uma garagem interior, uma zona comum de condomínio com piscina, campo ténis, parque infantil e zona de grelhadores. Foi uma lufada de ar fresca e para os meus filhos também foi um tempo de descoberta., coincidindo com a passagem da infãncia à adolescência.     Recordo com alguma ternura e saudade os momentos felizes em volta da piscina com amigos e familiares. Os almoços familiares.Os banhos nocturnos, os jogos de ténis, as caminhadas e os jogos de futebol.

    Em termos pessoais, para ocupar o tempo e também para tentar ajudar e ser útil a comunidade, envolvi-me na politica local do concelho. O Partido Comunista voltou a vir ter comig, através do amigo e camarada Eduardo. Um homem com um amor à freguesia da qual e natural e com uma dinamica estonteante. conseguiu convencer-me a participar em projectos para  a freguesia e para o concelho.

    No entanto, paralelamente a esta dinãmica política, a degradação do meu casamento acabou por conduzir a um desenlace esperado. A separação e o consequente divorcio. Começei a sentir-me um estranho e um naufrago na minha própria casa. Por vezes, caminhava sózinho nos arredores da casa, percorrendo caminhos e bosques. Sózinho sempre.Os habitantes da aldeia olhavam-me sempre como um citadino.Nem o meu envolvimento na politica local, me troxe algum valor acrescentado em termos de amizades.

    Em Lorvão, os militantes e simpatizantes do nosso partido, envolveram-se activamente na criação de um movimento popular para a recuperação das instalações do antigo Hospital Psiquiatrico e para a criação de uma eventual Unidade de Cuidados Continuados. E aí tive alguma intervencão como membro dessa associação e como eleito na Assembleia de Freguesia e era um pouco conhecido pelas pessoas.

    Com um enorme amargo de boca, regressei a Coimbra após a venda da nossa casa. Para viver sózinho.

 


sexta-feira, 9 de julho de 2021

 Geografia Pessoal -Almada

Em finais do ano de 1998, fui trabalhar para Almada. Quando fui trabalhar para a margem sul a minha vida alterou-se profundamente. Residi durante cerca de um ano num quarto com uma senhora idosa com uma personalidade curiosa.Divorciada mas com um caso amoroso com um homem casado,tecnico de manutenção de piscinas.  Alguém que tinha conhecido num anuncio de encontros. Mas também tinha aqueles habitos antigos que se vão transmitindo de geração em geração mas que se vão perdendo nos tempos modernos, felizmente, graças a novos habitos de higiene pessoal O habito de penico debaixo da cama que se despeza de manhã é um pequeno exemplo. A alimentação pessoal feita directamente do tacho e da panela, onde se cozinhou é outra.

    Mas antes de Almada, estive 15 dias em Lisboa a residir num quarto de um predio degradado no centro da cidade. No Intendente.Era impossivel ir até à varanda, pois as janelas estavam trancadas com um cadeado, por motivo de segurança, pois a própria varanda já tinha um estado de degradação enorme.E com uma banheira com suportes metalicos ja um pouco enferrujados e com uma estranha cor amarela na caramica branca.Na altura, pensei que poderia ser dos canos enferrujados em que a agua poderia ser daquela cor e deixasse a banhira com aquele tom de cor. Pensamentos masculinos de quem não está habituado a determinados pormenores de limpeza.

    Até que um certo dia de manhã quando ia tomar um banho, encontrei um dos residentes a urinar directamente para a banheira. Bem, pensei eu:-tavez tenha problemas de pontaria e necessite de um espaço maior, para as suas micções matinais.Pelo sim e pelo não, decidi naquele dia mudar de resid~~encia e tentar alugar um quarto em Almada.

    A familia juntou-se a mim, passado um ano. Os meus filhos ainda eram pequenos e a minha mulher pediu uma licença sem vencimento para podermos estar todos juntos e assim, eu também poder dar apoio as actividades familares. Por isso, alugamos um apartamento perto do meu local de trabalho. Um apartamento com habitantes especiais que só descobri passado um mês. Uns animais tímidos que desapareciam quando ligava o interruptor da luz. Baratas. Elas estavam em todo o lado. Nos quartos, na cozinha, casa de banho, enfim eram os habitantes anteriores que não quiseram sair com a nossa entrada na casa. Ma lá tivemos que preparar umas armadilhas para os retirar dos seus «buracos». 

    Até os meus proprios filhos já achavam graça a estas « operaços militares de caça às baratas». O meu  filho mais velho até ja me imitava em determinadas expressões utilizadas durante estas «expedições», com a sua entoação própria «Put... de m....»

    Outro pormenor curioso na casa era o de poder estar à janela e observar o movimento na rua. Eu e a minha mulher, gostavamos de ao domingo ver a chegada dos clientes das matinéesda Incrivel Almadense. AS matinées dançantes, onde apareciam pessoas de todas as idades. Por curiosidade, cheguei a entrar um dia observar a força de viver daquelas pessoas que procuravam ali o convivio e talvez uma nova relação, naquele espaço onde bandas musicais de baile, interpretavam temas antigos que convidavam à dança a dois.

    O centro de Almada era ali perto. E foi ali que pude comemorar o título de campeão do Sporting, passados muitos anos. E as minhas recordações na altura, levavam-me até Coimbra, ao café Brasil do Sr. Silva ( falecido num acidente de automovel e que não pode testemunhar a consagração do campeão) que um dia declarou de forma precisa não pretender aumentar o preço da café, enquanto o Sporting não fosse campeão. Promessa que se manteve, após o seu falecimento, através da sua esposa que passou a gerir o estabelecimento e que se tornou uma espécie de local de romaria nacional de todos os sportinguistas após a conquista do título.

    Em Almada, também tive oportunidade de conhecer e falar com algumas vedetas musicais portuguesas. Uun frequentavam o Tribunal, por diversas vezes, relativamente a problemas diversos e outos frequentavm os cafes e bares da cidade e arredores. A margem sul, no boom musical dos anos 80, lancou muitos grupos. Desde os UHF, Xutos e Pontapes e outros. Por fim, Almada Velha. a zona da cidade, situada na zona alta. Com uma vista espectacular para Lisboa. Descobri essa zona, quando ali cheguei e ia almoçar com os colegas do Tribunal à GNR. Almoços substanciais. E depois na zona do bar, onde iamos tomar café podia disfrutar de um vista previlegiada do rio Tejo, da Ponte 25 de Abril e de Lisboa. A margem sul, também é o Seixal, Montijor tantas outras localidades mas ali perto a atração maior er a praia da Costa da Caparica. A tal, da canção dos Peste e Sida  que « viravam costas a Lisboa e iam para o sol da Caparica». 

  Já voltei a passar por Almada mas nunca mais parei. Que saudades.Principalmente, por causa dos doces momentos de familia que ainda recentemente pude voltar a ver em video. Mas também ha quem diga que não devemos voltar aos sitios, onde fomos felizes.


quarta-feira, 7 de julho de 2021

Geografia Pessoal-Bairro de Santa Apolonia


    Após o meu casamento, fui morar para o Bairro de Santa Apolonia. Um bairro residencial na zona norte da cidade de Coimbra. Apenas vivi ali durante 4 anos. Surgiu a oportunidade de mudar para um trabalho mais compensador do ponto de vista financeiro e mudei para a zona de Lisboa. Primeiro sózinho e depois a minha mulher e respectivos descendentes que vieram ter comigo. Foram anos de muitas mudanças. A experiência do casamento. A descoberta de uma vida em comum com momentos menos bons mas também com momentos felizes. 
   Mas o Bairro de Santa Apolonia era um bairro residencial simpatico naqueles anos 90.Um bairro familiar com alguns estabelecimentos comerciais que permitiam ficarali sem grandes deslocações para outras zonas de cidade.Actualmente, continua a ser um bairro simpatico mas com a confusão e aglomerado de pessoas do outro lado da estrada principal.Ora, façamos as contas. 3 hipermercados e um retail park. Mas o bairro manteve a sua identidade.
    Na cave do meu prédio, num espaço para garagens, foi improvisada uma mesquita. Ainda antes do aparecimento dos fundamentalismos islamicos que agitaram e continuam a agitar o mundo inteiro. Era curioso ver aqueles crentes muçulmanos com as suas vestes compridas e as suas boinas características a deslocarem-se para o seu local de culto. Ali só faltava o minarete para chamar os muculmanos para as orações. um dia, ainda tiva a audácia de ir espreitar a hora da oração. Claro que não entrei ,mas por momentos, tive o desejo infantil de esconder os sapatos que ali se encontravam á entrada da mesquita.
    Tinha a minha rotina de fim de semana. Café, um passeio pelas ruas e levar o meu filho mais velho ao jardim infantil. Ao fim do dia , uma passagem pelo clube de video para ir buscar as últimas novidades cinematograficas. Visitava regularmente o meu pai  que continuava a morar no emblematico Bairro da Portela da Cobiça e habitualmente, também o trazia lá a casa para almoçar ou jantar. Por vezes, faziamos passeios familiares de carro.
    Um dos moradores e proprietários de um café no Bairro de Santa Apolónia, era o Sr. António. Dono de um café com o nome de »Destino». Ali trabalhava ele, a esposa e os seus dois filhos. Uma empresa familiar.Conhecido no bairro como o brasileiro, era português, natural de Lagares da Beira . Esteve alguns anos no Brasil e ganhou o sotaque característico do Brasil. Nunca cheguei a perceber se era genuíno aquele sotaque, ou era uma forma de projecção da sua vaidade. A historia do emigrante bem secedido no Brasil.Por esse motivo, o café também era conhecido como o café do brasileiro.
   Ali residi durante 3 anos. Quando vendi a cas num período de boom de vendas de casas, consegui obter um lucro de mais de 100%. com esse lucro, conseguimos comprar um carro novo ( que por acaso ainda permanece nas minhas mãos, passados 21 anos e circula com a bonita kilometragem de cerca de 300000 kms).
  As boas recordações estão relacionadas com os primeiros anos do meu casamento. Os filhos que nasceram em Coimbra, sendo ali que começaram o seu percuros de vida.
Continua a ser um bairro residencial e claro que a minha memoria recua quando ali passo, procurando acertar os meus pensamentos com o percurso da minha vida.
 

    
  

sábado, 3 de julho de 2021

 Geografia Pessoal-2ª Historia


Isto das memorias geograficas e das perspectivas pessoais dos locais, remete-me para a imaginação que fazemos dos lugares. Quando não conhecemos um país, uma região,uma cidade ou ate uma aldeia e falo por mim claro, partimos de uma viagemplanisferica dos locais. Ou seja, imagino os locais a partir de mapas que consultei na escola, o trabalho, ou em casa.

    O nosso local de residência é um ponto no mapa. Conhecemos as ruas e os locais onde nos encontramos com amigos e familiares. Para onde vamos passear ou caminhare quando vamos para um lugar novo, a imaginaçaõ desse lugar regressa ao tal mapa que guaradámos numa secretária ou numa gaveta escondida.

    E quando chegamos a esse país, cidade ou região, ficamos surpreendidos. Por vezes, até ficamos desiludidos. nNão era daquela forma que imaginava ou sonhava  aquele local.Os sonhos também nos transportam a locais.Locais por onde passámos e que de uma forma incosciente foram guardados na nossa memória. Eu tenho memória que partem de sonhos e devaneios. Casas, florestas, rios. Por vezes, até pessoas.

  E de vez em quando regresso a essas memórias. Que não consigo compreender e explicar de uma forma correcta e consciente. Uma casa velha de cor branca, junto a um caminho. Um pequeno pátio, com uma velha arvore. De uma pequena janela, uma pessoa a espreitar. Um homem. Um homem que guarda segredos e histórias. Aonde?. Numa enorme biblioteca, espalhada pela mini-sala da pequena casa branca. Não há espaço para móveis . Só pra livros.o grande segredo.a sede de cultura e do saber. os livros como chave de todo o conhecimento.Esse homem, poderia ser eu. sózinho, numa casa humilde, rodeado de livros. A origem de todo o saber que eu um dia gostaria de ter. A sabedoria para perceber todos os misterios do universo.

 Asociado a esta geografia pessoal, recordo um pequeno texto que um dia me chegou às mãos.Um requerimento feito por um homem. Um vagabundo, ou um sem abrigo requer ao Tribunal, perdão no pagamento de uma dívida. Mas não justifica, o não pagamento por estar desmepregado , ou ter muitas despesas, ou ser pobre. Declara-se dono das «maiores riquezas do mundo». A riqueza dele, consistia em poder ver as luzes da cidade de Aveiro, Costa Nova, Barra e Ílhavo.Poder contemplar as estrelas e ouvir o barulho dos animais. e poder disfrutar disto tudo, pra ele era a maio riqueza. Por isso, se considerava o homem mais rico do mundo. Nunca me esqueci deste pequeno texto/requerimento. a lucidez de um homem que a grande maioria das pessoas pode considerar de louco. Mas que me faz pensar, sobre o segredo da vida e sobre aquilo que é mais importante no caminho da descoberta pessoal, da liberdade e talvez da felicidade.


 Geografia Pessoal- 1º história. A infancia  e a juventude. Casa Branca


A infância é sempre um tempo bonito. O mundo exterior é uma constante descoberta. Mesmo quando lhes negam o direito a serem crianças, estas descobrem novas formas de sonhar e de brincar.

    Por isso ouvimos pequenas histórias de adultos que falam de brinquedos que construiram e de brincadeiras que inventaram. Eu também consigo recordar algum tipo de brincadeiras que os miudos do meu tempo desenvolviam e que deixaram de ser habituais nos tempos actuais. Penso que nas pequenas aldeias, alguns miudos ainda praticam brincadeiraa ntigas como o jogo do arco, peão e outras relacionadas com animais e natureza. As novas tecnologias, a sociedade de consumo e a globalização tornaram os habitos e costumes das crianças bastante uniformes.

    Mas ainda hoje, quando vou à Casa Branca ou mais precisamente à Portela da Cobiça e do alto daquele monte, contemplo a cidade de Coimbra, lá em baixo.O Estadio de futebol, o bairro Norton de Matos e a Solum, lugares que percorri quando era criança e jovem.

   O Clube recreaativo da Casa Branca era o local de encontro das pessoas do bairro.Os bailes, os jogos tradicionais, algumas modalidades desportivas, num tempo em que a vida nocturna era práticamente inexistente. Os locais de diversão nocturna eram conhecidos por »boites» e por norma eram um pouco «mal afamados». Para além disso, a grande maioria dos jovens não tinham muito dinheiro, para poderem gastar nessses locais.

  Os bailes das colectividades eram locais de convivio importantes. Fazíamos grandes caminhadas para ir a bailes em locais longíquos. Ninguém tinha carro e por vezes havia conflitos entre as pessoas devido a bairrismos exarcebados. As pessoas de outros bairros ou localidades eram «olhados de forma pouco amistosa».

    Recordo um baile no bairro do Tovim, onde um nosso amigo foi agredido e quando regressávamos ao nosso bairro, fomos perseguidos po populares daquele bairro. A Avenida Elisio de Moura que é hoje uma artéria bastante movimentad, ainda estava em construção. Ainda não passavam carros. E recordo que quando já vinhamos a meio da Avenida, começaram a cair pedras de vários tamanhos á nossa volta. Felizmente, não houve ferimentos no nosso grupo.Até chegarmos a casa, já estavamos a arquitectar e planear formas de vingança.Eram tempos de de rivalidades extremas, com alguma boçalidade e selvajaria à mistura.

    Claro que esta minha geografia pessoal, referente a estes tempos, assenta num eixo familiar, Eu, os meus pais e os meus irmãos. Uma familia tradicional, em que a minha mãe trabalhava em casa. a profissão dela, era não remunerada mas a mais importante na familia. Domestica, era a profissão da minha mãe. O centro daquela casa era a minha mãe, com a sua forma de organizar o espaço envolvente, a sua forma de cozinhar e de tratar da roupa e das limpezas e arrumações.

    Quando a minha mãe «partiu», criou-se um vazio naquela casa. Eu e o meu paique nunca nos entendemos muito bem, tivemos que nos adaptar às novas circunstãncias. E aí, a minha percepção da casa, da rua e do bairro alterou-se. Tive necessidade de ter um papel mais activo na organização das tarefas domésticas e procurar ter um entendimento positivo com o meu pai.

    Mas passados muitos anos, aquela zona da cidade onde cresci e me tornei adulto, representa um mito pessoal. Seria ali que gostaria de residir nos meus ultimos anos de vida.Vivenciando novos sentimentos e emoções passadas, olhando em redor para as alteraçoes que o passar do tempo, imprimiral na paisagem urbana.

    E a partir dessas alterações, fecho os olhos e regresso ao tempo passado, procurando encontrar o equilibrio nesta minha viagem pessoal ao passado, partindo de um lugar que marcou profundamente a minha vida.



 A Ilha e o isolamento


Vivo agora numa ilha. A sensação de solidão e o isolamento que leva as pessoas a procurarem viver noutros sítios, , pode relacionar-se com vários factores.Problemas sociais e económicos  convidam à emigração e quando ocorrem numa ilha, podem assumir contornos de maiores dimensões. As oportunidades de se alcançar o « elevador social» são mais diminutas.Claro que associado  a esse factor de isolamento, também existem factores de ordem psicológica.

    O isolamento na ilha é diferente do isolamento no continente. Aí pelo menos, em termos psicológicos podemos pensar que nos podemos deslocar para todo o lado. Mesmo quando não saímos da nossa cidade, vila ou aldeia, durante dias, meses e por vezes anos, também motivado por varíadissimos motivos. É um isolamento diferente. Estamos isolados mas pensamos que podemos ter possibilidades de viajare de nos deslocarmos para qualquer lugar.

    O ilhéu têm o mar à sua volta. O mar é uma barreira natural. Uma barreira natural que pode ser ultrapassada em viagens de barco ou de avião.. No Continente, apenas está lá a distância. Se quiser, posso ir de bicicleta ou até a pé, numa viagem de Lisboa a Moscovo. Basta a vontade e a energia.

    Mas o maior isolamento é estarmos sózinhos e sem perspectivas de solução para os nossos problemas. Conseguirmos ser autónomos e poder olhar para o nosso próprio interior e avaliar os nossos sentimentos e pensamentos e compreender a nossa personalidade. E encontrar nesse isolamento, o nosso próprio caminho e solução para o problema de solidão.Quando isso acontecer, estaremos prontos  para procurar outras pessoas. Porque passamos a ser inteiros, com dizia Fernando Pessoa.   

terça-feira, 29 de junho de 2021

 A Praia


O filme, a praia com Leonardo de Caprio é um filme de referência. A história remete para uma ilha isolada e inacessível, algures na Tailãndia, onde um grupo de neo-hippies tenta constituir uma comunidade auto-sustentavel.Acho que o filme pretende desmistificar o mito do regresso à natureza e onde  o homem abdicaria dos seus defeitos habituais, como o desejo, a inveja , o cíume e outros que conduzem, por vezes a atos de violência. É o que acontece no final do filme, em que a Matriarca a comunidade numa atitude de desespero para manter artificialmente propôe-se a cometer um homicidio.

    O personagem encarnado pelo actor Leonardo, fica desiludido quando chega à Tailãndia.O turismo massificado, desilude-o por completo.Quando encontra numa pensão, onde se encontra hospedado, um homem com um discurso «alucinante« sobre um ilha paradisíaca, começa a conversar com ele enquanto fumam vários «charros». No dia seguinte, encontra o seu «amigo» da noite anterior morto. Mas com um mapa do caminho para a ilha. Conhece dois turistas franceses e juntos arquitectam e concretizam a chegada à ilha ídilica.

    O deslumbramento inicial foi imediato.. A  comunidade e o paraíso natural, eram elementos importantes para a construção de uma « felicidade terrena». Mas a inveja, a cobiça, o desejo e o amor estão sempre presentes na sociedade humana. E o desfecho daquele paraíso acaba com a expulsão de todos por um grupo de agricultores e traficantes de canabis e que controlavam a passagem para o paraíso. A paisagem esconde a verdadeira realidade. O sonho e a felicidade estão nos atos diarios das pessoas. Não existelocal específico para esse encontro.

    Faço um paralelo com a minha vida actual. Também me encontro a residir actualmente numa ilha. A famosa ilha verde dos Açores. S. Miguel. Procuro aqui o meu reencontroe talvez a felicidade. Não procuro uma comunidade hippie, algo que já pensei no passado tal como a personagem principal deste filme.

    Procuro o meu reencontro. Com um melhor ordenado mensal, também procuro o meu equilibrio financeiro. Tenho momentos de desãnimo mas procuro concentrar as minhas forças. Dos meus primeiros contactos com os micaelenses fico satisfeito.As pessoas são relativamente sociaveis e hospitaleiras..Não sou convidado para festas ou convivios familiares mas isso é proprio do ser português. A familia é um meio afectivo relativamente fechado. Aqui, nos Açores e normalmente em todas as localidades urbanas do país, chamado Portugal.


sábado, 12 de junho de 2021

 O primeiro mês na ilha verde


Um mês de Açores, ilha de S. Miguel, cidade de Ponta Delgada. Bem, para ser mais rigoroso, terei que dizer 25 dias.

    Acho os açorianos hospitaleiros. Um povo simpático e que tenta agradar aos seus visitantes. A pronuncia açoriana da ilha de S.Miguel e que alguns atribuem a povoadores franceses é um pouco estranha.Não é muito agradavel em termos auditivos, ao contrario de outras pronuncias regionais e de outros continentes, variantes da nossa língua materna. O português.

    O mar é uma barreira natural. Consigo notar uma consciência colectiva dessa barreira e que conduz a um certo isolamento.Embora, nesta maior ilha do arquipélago o mar não esteja sempre presente  e visível. Talvez essa noção de isolamento possa explicar a afirmação da identidade açoriana.Visivel nalgumas habitações, onde a bandeira açoriana se encontra hasteada. Mas a identidade portuguesa também está presente, com salvaguarda da respectiva autonomia regional que também foi uma conquista da revolução de Abril de 74.

    Outro pormenor que caracteriza a alma açoriana. A atracção pelo continente americano. Um continente com uma forte componente de emigrantes açorianos, nomeadamente em países como os EUA e Canadá. Quando aqui cheguei, procurei perceber essa « alma açoriana» na literatura de um dos seus maiores escritores Vitorino Nemésio. Mas também num poeta importante da Geração de 70, do século XIX. Antero de Quental. Vitorino Nemésio e Antero de Quental.

    Vitorino Nemésio na sua obra magistral retrata a vivência das pessoas nas ilhas do centro açoriano. Faial, Pico e S. Jorge. A presença do mar é constante na literatura e na poesia. A pesca e a religião são fundamentais na vivência açoriana. A  importância do Santo Cristo e as festividades e cerimonias religiosas associadas a este culto. A importância dos senhores da terra, face aos humildes açorianos, trabalhadores agricolas, manuais e pescadores. As rivalidades entre as familias mais poderosas das ilhas. o negocio em que a mulher assume o papel de mercadoria de troca. A protagonista, Margarida uma mulher culta e lutadora e com sonhos proprios, acaba por se resignar e asumir o papel de solucão para os problemas da familia. uma sociedade patriarcal, com caracteristicas proprias e que ainda não  acompanhava o espirito de renovação da epoca ( inicio do seculo xx), talvez devido ao seu isolamento proprio.

    Em Antero de Quental, o mar está presente na sua poesia. A sua morte trágica, revelou uma personalidade sensível que aparece de forma evidente no seu trabalho, em que compara a morte ao mar imenso que rodeia as pessoas. A morte aparece como um espectro e o sofrimento diário é comparado às ondas do mar.

    « Em mim, os sofrimentos que não saram paixão, duvida e mal, se desvanecem. As torrentes de dor, que nunca param.Como no mar, em mim desaparecem...............

      Assim, a morte diz... E na sua mudez mais retumbante que o clamoroso nmar, mais rutilante. Na sua noite, do que a luz do dia.»

    A alma do povo, ambém esta presente nos seus poetas e escritores .

    


O primeiro dia de trabalho nos Açores


Um passeio de trabalho na ilha de S. Miguel. A cidade de Ponta Delgada.Um sol escaldante. Procuro uma rua.Caminho com convicção. Tenho de fazer o meu trabalho. Olho em redor.Hoteis enormes, alguns turistas em trânsito.Os Açores não são ainda um destino massificado de turismo. Ailha verde de S.Miguel. Com os seus prados verdes a perder de vista, em contraste com o mar imenso que rodeia a ilha.O postal das lagoas coloridas e das águas quentes vulcânicas. A gastronomia regional. O leite, a carne açoriana e o peixe.

    Penso nisto tudo, enquanto caminho. Reparo na quantidade de casas transformadas em alojamentos locais. A miragem do turismo.Casas de varios tipos e dimensões, em oferta a turistas que tardam em chegar. Os Açores têem um encanto especial. Natureza, paisagens de perder a respiração, um mar imenso com imensos locais para navegar, pescar e mergulhar. o clima é muito variavel e por isso o turismo de grandes dimensões, em busca de sol e clima tropical não têm espaço por estas paragens. Qual será o turismo certo para os Açores?. Na minha modesta opinião é o turismo de natureza que é totalmente oposto ao turismo massificado dos resorts.

    Entretanto,  na minha cminhada de trabalho passo em frente ao Estabelecimento Prisional. Os meus pensamentos alteram-se. A minha imaginação conduz-me a outras prisões viradas para o mar. Alcatraz.Talvez um exagero, da minha imaginação esta comparação mas tento compreender o tipo de pensamentos de um prisioneiro colocado numa cela virada para o oceano. O mar imenso que também é símbolo da fuga e da liberdade de viajar.

    Em frente à entrada principal, um jovem com bastantes tatuagens está sentado numa paragem de autocarro. Traz consigo um saco transparente, onde é possivel ver a sua roupa. Provavelmente, aquele jovem teria acabado de sair da prisão. O confronto com a realidade da pobreza. A pergunta coloca-se. Será que aquele jovem  não dispõe de meios financeiros para comprar uma simples mala ou um saco em pano ou tecido para tansportar a sua propria roupa. Claro que posso estar a exagerar na minha imaginação. Ele pode não ser um prisioneiro. E pode também não gostar de sacos de transporte de roupa. Imaginações, numa cidade que procura abrir as suas portas ao turismo.o maná do turismo, no paraíso verde e azul.

 

domingo, 3 de janeiro de 2021

 A minha janela


A minha janela. Da minha janela, comtemplo a rua. A seguir a vida real, neste tempo de contenção e confinamento.O  mundo real na minha janela. Sem movimento nas ruas. Hoje esperava ver as crianças do bairro, brincando na rua sob a vigilância rigorosa dos pais que também estão na rua, com um olhar atento às crianças, enquanto espreguiçam um outro olhar preguiçoso aos seus telemoveis.

    Na rua, em 2021.Quando era criança tinha a rua como o meu paraíso. Tal e qual , outros amigos da minha  geração. A rua, era a outra escola.Os jogos das crianças dos anos70. Escondidas, Corridas de bicicletas e assaltos aos pomares e galinheiros da vizinhança. Os actores dos filmes de aventuras eram os nossos heróis.

    Eramos bastante felizes e não sabiamos.Agora, com um olhar reflexivo sobre esse passado sinto uma grande nostalgia. Os tempos eram duros. O dinheiro não abundava nas bolsas dos nossos familiares. Mas a alegria e a força de viver eram enormes.

    A vida é movimento e evolução.Novas formas de encarar o mundo. progresso económico. Novos valores. Maa o espirito infantil do jogo e da brincadeira, proprio das crianças nunca muda. O prazer da descoberta.O olhar aberto e inteiro sobre o mundo que nos rodeia. E as viagens.A descoberta do mundo. Um prazer constante. Em qua as viagens podem ser apenas, à volta das nossas fantasias e sonhos.