terça-feira, 29 de junho de 2021

 A Praia


O filme, a praia com Leonardo de Caprio é um filme de referência. A história remete para uma ilha isolada e inacessível, algures na Tailãndia, onde um grupo de neo-hippies tenta constituir uma comunidade auto-sustentavel.Acho que o filme pretende desmistificar o mito do regresso à natureza e onde  o homem abdicaria dos seus defeitos habituais, como o desejo, a inveja , o cíume e outros que conduzem, por vezes a atos de violência. É o que acontece no final do filme, em que a Matriarca a comunidade numa atitude de desespero para manter artificialmente propôe-se a cometer um homicidio.

    O personagem encarnado pelo actor Leonardo, fica desiludido quando chega à Tailãndia.O turismo massificado, desilude-o por completo.Quando encontra numa pensão, onde se encontra hospedado, um homem com um discurso «alucinante« sobre um ilha paradisíaca, começa a conversar com ele enquanto fumam vários «charros». No dia seguinte, encontra o seu «amigo» da noite anterior morto. Mas com um mapa do caminho para a ilha. Conhece dois turistas franceses e juntos arquitectam e concretizam a chegada à ilha ídilica.

    O deslumbramento inicial foi imediato.. A  comunidade e o paraíso natural, eram elementos importantes para a construção de uma « felicidade terrena». Mas a inveja, a cobiça, o desejo e o amor estão sempre presentes na sociedade humana. E o desfecho daquele paraíso acaba com a expulsão de todos por um grupo de agricultores e traficantes de canabis e que controlavam a passagem para o paraíso. A paisagem esconde a verdadeira realidade. O sonho e a felicidade estão nos atos diarios das pessoas. Não existelocal específico para esse encontro.

    Faço um paralelo com a minha vida actual. Também me encontro a residir actualmente numa ilha. A famosa ilha verde dos Açores. S. Miguel. Procuro aqui o meu reencontroe talvez a felicidade. Não procuro uma comunidade hippie, algo que já pensei no passado tal como a personagem principal deste filme.

    Procuro o meu reencontro. Com um melhor ordenado mensal, também procuro o meu equilibrio financeiro. Tenho momentos de desãnimo mas procuro concentrar as minhas forças. Dos meus primeiros contactos com os micaelenses fico satisfeito.As pessoas são relativamente sociaveis e hospitaleiras..Não sou convidado para festas ou convivios familiares mas isso é proprio do ser português. A familia é um meio afectivo relativamente fechado. Aqui, nos Açores e normalmente em todas as localidades urbanas do país, chamado Portugal.


sábado, 12 de junho de 2021

 O primeiro mês na ilha verde


Um mês de Açores, ilha de S. Miguel, cidade de Ponta Delgada. Bem, para ser mais rigoroso, terei que dizer 25 dias.

    Acho os açorianos hospitaleiros. Um povo simpático e que tenta agradar aos seus visitantes. A pronuncia açoriana da ilha de S.Miguel e que alguns atribuem a povoadores franceses é um pouco estranha.Não é muito agradavel em termos auditivos, ao contrario de outras pronuncias regionais e de outros continentes, variantes da nossa língua materna. O português.

    O mar é uma barreira natural. Consigo notar uma consciência colectiva dessa barreira e que conduz a um certo isolamento.Embora, nesta maior ilha do arquipélago o mar não esteja sempre presente  e visível. Talvez essa noção de isolamento possa explicar a afirmação da identidade açoriana.Visivel nalgumas habitações, onde a bandeira açoriana se encontra hasteada. Mas a identidade portuguesa também está presente, com salvaguarda da respectiva autonomia regional que também foi uma conquista da revolução de Abril de 74.

    Outro pormenor que caracteriza a alma açoriana. A atracção pelo continente americano. Um continente com uma forte componente de emigrantes açorianos, nomeadamente em países como os EUA e Canadá. Quando aqui cheguei, procurei perceber essa « alma açoriana» na literatura de um dos seus maiores escritores Vitorino Nemésio. Mas também num poeta importante da Geração de 70, do século XIX. Antero de Quental. Vitorino Nemésio e Antero de Quental.

    Vitorino Nemésio na sua obra magistral retrata a vivência das pessoas nas ilhas do centro açoriano. Faial, Pico e S. Jorge. A presença do mar é constante na literatura e na poesia. A pesca e a religião são fundamentais na vivência açoriana. A  importância do Santo Cristo e as festividades e cerimonias religiosas associadas a este culto. A importância dos senhores da terra, face aos humildes açorianos, trabalhadores agricolas, manuais e pescadores. As rivalidades entre as familias mais poderosas das ilhas. o negocio em que a mulher assume o papel de mercadoria de troca. A protagonista, Margarida uma mulher culta e lutadora e com sonhos proprios, acaba por se resignar e asumir o papel de solucão para os problemas da familia. uma sociedade patriarcal, com caracteristicas proprias e que ainda não  acompanhava o espirito de renovação da epoca ( inicio do seculo xx), talvez devido ao seu isolamento proprio.

    Em Antero de Quental, o mar está presente na sua poesia. A sua morte trágica, revelou uma personalidade sensível que aparece de forma evidente no seu trabalho, em que compara a morte ao mar imenso que rodeia as pessoas. A morte aparece como um espectro e o sofrimento diário é comparado às ondas do mar.

    « Em mim, os sofrimentos que não saram paixão, duvida e mal, se desvanecem. As torrentes de dor, que nunca param.Como no mar, em mim desaparecem...............

      Assim, a morte diz... E na sua mudez mais retumbante que o clamoroso nmar, mais rutilante. Na sua noite, do que a luz do dia.»

    A alma do povo, ambém esta presente nos seus poetas e escritores .

    


O primeiro dia de trabalho nos Açores


Um passeio de trabalho na ilha de S. Miguel. A cidade de Ponta Delgada.Um sol escaldante. Procuro uma rua.Caminho com convicção. Tenho de fazer o meu trabalho. Olho em redor.Hoteis enormes, alguns turistas em trânsito.Os Açores não são ainda um destino massificado de turismo. Ailha verde de S.Miguel. Com os seus prados verdes a perder de vista, em contraste com o mar imenso que rodeia a ilha.O postal das lagoas coloridas e das águas quentes vulcânicas. A gastronomia regional. O leite, a carne açoriana e o peixe.

    Penso nisto tudo, enquanto caminho. Reparo na quantidade de casas transformadas em alojamentos locais. A miragem do turismo.Casas de varios tipos e dimensões, em oferta a turistas que tardam em chegar. Os Açores têem um encanto especial. Natureza, paisagens de perder a respiração, um mar imenso com imensos locais para navegar, pescar e mergulhar. o clima é muito variavel e por isso o turismo de grandes dimensões, em busca de sol e clima tropical não têm espaço por estas paragens. Qual será o turismo certo para os Açores?. Na minha modesta opinião é o turismo de natureza que é totalmente oposto ao turismo massificado dos resorts.

    Entretanto,  na minha cminhada de trabalho passo em frente ao Estabelecimento Prisional. Os meus pensamentos alteram-se. A minha imaginação conduz-me a outras prisões viradas para o mar. Alcatraz.Talvez um exagero, da minha imaginação esta comparação mas tento compreender o tipo de pensamentos de um prisioneiro colocado numa cela virada para o oceano. O mar imenso que também é símbolo da fuga e da liberdade de viajar.

    Em frente à entrada principal, um jovem com bastantes tatuagens está sentado numa paragem de autocarro. Traz consigo um saco transparente, onde é possivel ver a sua roupa. Provavelmente, aquele jovem teria acabado de sair da prisão. O confronto com a realidade da pobreza. A pergunta coloca-se. Será que aquele jovem  não dispõe de meios financeiros para comprar uma simples mala ou um saco em pano ou tecido para tansportar a sua propria roupa. Claro que posso estar a exagerar na minha imaginação. Ele pode não ser um prisioneiro. E pode também não gostar de sacos de transporte de roupa. Imaginações, numa cidade que procura abrir as suas portas ao turismo.o maná do turismo, no paraíso verde e azul.