quinta-feira, 6 de outubro de 2022

 Experiências na ilha


Quando cheguei à ilha, trazia no meu espírito uma espécie de livro aberto, sem preconceitos e ideias feitas. Precisava de conhecer a cultura e a vivência do povo açoriano.A  beleza notavel da ilha de S. Miguel, também apelidada de ilha verde representou um choque positivo. O mar com os seus tons de azul e verde, em contraste com as belas montanhas verdes, associado á beleza sóbria dos edificios centenários que povoam a cidade de Ponta Delgada. Com o cair da noite, esses edificios de pedra escura, asumem uma beleza encantadora e sublime com o contraste entre o branco e o negro.

   Os acorianos  têm uma cultura singular. Desde as festas religiosas do Espírito santo e do Santo Cristo, passando pelas novidades gastronómicas que constituiram adaptações de todo um reportório cultural trazido pelos primeiros povoadores. O próprio dialecto micaelense também foi uma herança deixada pelos povoadores das ilha, sendo alguns de origem francesa e existindo na ilha uma regiâo denominada de Bretanha.

Sobre a minha experiência pessoal nesta ilha maravilhosa, após uma ano, consigo afirmar que a sensação de isolamento eque eu mais temia, não chegou a acontecer. Embora, por vezes, enquanto olho para o mar como uma paisagem sedutora, levanto a cabeça e observo os aviões que partem para destinos longíquos e o meu coração por vezes acompanha a sua rota.

 Escreve sobre o que sentiste quando chegaste à ilha. Foi um desafio que uma querida amiga me lançou. Para mim, foi uma nova descoberta. Quando a nossa vida atinge um enorme vazio,, precisamos de nos reinventar e de fazer novas descoberta. Viajar ou trabalhar noutro local. 

A minha imagem dos Açores era a de pequenas associações com locais, alimentos e animais. Desde a imagem da Lagoa das Sete Cidades com a sua famosa lenda , passando pelo cultivo do ananás e o cozinhado do famoso cozido das Furnas e acabando na  pesca da baleia. Mas esta ilha , também é terra de poetas e escritores. Alguns como Vitorino Nemésio e a sua voz pausada e poetica fazem parte do meu imaginátio infantil , no programa de TV com o título « Se bem me lembro» A presnça constante do mar e o isolamento natural de quem vive numa ilha, inspirou  poetas  e escritores , com almas criativas e sensíveis.

Alguém me disse. Se fores para uma ilha mais pequena, terás de tornar alcóolico, ou escritor. Porque senâo, a tua saúde mental poderá sofrer um pouco, Mas a minha sorte, ou o  meu azar foi ter vindo para a ilha mais urbanizada e cosmopolita dos Açores. Como menino da cidade, nâo senti a diferença e como tal posso perder a minha inspiraçâo para escrever.

Uma última palavra, para a saga do povo açoriano.A emigração- Numa das praças mais bonitas de Ponta Delgada, o Campo de S. Francisco está a estátua de homenagem aos emigrantes. A imagem represnta uma família açoriana constituída pelo pai , a mâe e o filho. Na frente, o homem com o braço levantado procura proteger-se  e à sua família de perigos desconhecidos que poderão enfrentar numa viagem rumo ao desconhecido. Representa também a coragem pela luta, por uma vida melhor.

 


segunda-feira, 4 de abril de 2022


O livro de João de Melo: Livro de voz e Sombras

Umlivro de ficção, sobre um tema polemic e relativamente recente na historia portuguesa. O aparecimento de grupos politicos nas ilhas da Madeira e Açores, no pós-revolução que defendiam a independência das ilhas. Partindo da construção de um discurso do medo, relativamente aos objectivos da revolução de 1974, alguns « poderosos» das ilhas, tentaram instrumentalizar os sentimentos culturais, tradicionais e religiosos da população, instigando-os contra os partidos de esquerda e contra os operários e sindicalistas que procuram defender os interesses da grande massa do povo trabalhador..

    Com atos de violência, que passavam por agressões físicas e verbais mas também pela destruição  e ataques a sedes de partidos e sindicatos, bem como a expulsão da ilha de «pessoas consideradas indesejaveis». Uma neblina caiu sobre este período controverso e agitado, após a institucionalização da autonomia das ilhas. E é com a tentativa de desvendar a neblina que uma jornalista continental, de uma outra geração  tenta aclarar com uma tentativa de entrevista a um dos activistas mais celebres do grupo independista dos Açores. Mas essa entrevista acaba, por se revelar frustrante, apesar do enredo surreal com contornos clandestinos que o levam  a casa do famoso activista. Apesar de algun fascínio que este homem exerce sobre a jornalista, a sensação final é a de estar perente um homem solitário, triste e vazio que apenas consegue romancear o seu passado. Limita-se a discursar sobre toda a historia, revelando apenas uma parte da historia reaL, mas com uma pequena abertura da cortina da verdadeira realidade. A  vergonha pessoal, num pequeno episodio de agressão a alguém, numa rua de Ponta Delgada. algúem que o enfrentou apenas com uma  indiferença e com um simples olhar. tal episodio, conduziu-o ao vazio das suas ideias e das suas actividades. De regresso ao Continente, a jornalista tinha apenas uma historia normal, semelhante a outras ocorridas , naquele período da nossa historia. Foi quando se lembrou de procurar os outros protagonistas da historia. As vítimas, e descobriu, uma história interssante. de um Portugal colonial e ultramarino, regressaram portugueses, após a revolução. desse regresso, ocorreram encontros com pessoas expulsas das ilhas. e que contruiram novas hidtorias de vida.