segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

 Vivências nos Açores

Quando saio à rua e falo com pessoas que residem  nesta ilha de S.Miguel fico sempre com a impressão que olham para mim de forma diferente quando começo a falar.O meu português falado  é o português do continente como uma minha  amiga açoriana diz. Mas é o português beirâo que em alguns casos se assemelha à linguagem da serpente. Não é bem o meu caso. Mas fico com a ideia que o falar com sotaque micaelense é algo de identificador desta ilha. Até as novas gerações de micaelenses mantêm o falar típico desta ilha. Aquele tom afrancesado de pronunciar as palavras e o apagamento de algumas sílabas e letras . das palavras.  O r, então é uma vítima habitual do sotaque micaelense. Depois desta verificaçâo de que a ptonuncia abrange todas as idades, tento compreender os motivos para que isso aconteça, embora também verifique que os locutores da rádio e da TV açoriana, falam um português escorreito e sem entoação e sotaque. Serão açorianos de outras ilhas ou continentais contratados para aquele trabalho.

    Ou seja, o orgulho micaelense leva-me a a outra parte do meu raciocinio. A suposta hostilidade para com os continentais também chamados por alguns de « cubanos». Resquicios dos tempos agitados do pós-revolução de 1974.. Com efeito, a FLA (Frente,  de Libertação Açores) deixou algum lastro nalgumas mentes. Para estas mentes, os portugueses são um povo colonizador e duvidam da historia dos Descobrimentos e da povoamento dos Açores no seculo XV. Para alguns, os Açores já tinham sido descoberots e povoados. Talvez pelos Atlantes, esse povo devidamente documentado da história Mundial.

   Ja me cruzei com alguns açorianos, adeptos da independência. A um deles que faz parte de um grupo de amigos desta ilha encantadora que apelidam de ilha verde, defende a tal teoria da pré- existência  de pessoas na ilha quando os portugueses aqui chegaram. Os colonizadores. Propus-lhe uma ideia. um pedido de realização de referendo, em que se consultavam os açorianos sobre a hipótese de independência.

  A outro açoriano com que me cruzo de forma regular e frequentador assíduo de um café perto do meu local de trabalho, mas com quem nunca falei, apenas observo com atenção as suas afirmações no interior do estabelecimento. Enquanto beberrica o seu copinho de cerveja ao balcão, uma forma eficaz de molhar a palavra, fala bem alto sobre os portugueses que se apropriam indevidamente das riquezas açorianas.

 Penso na hipótese de os Açores se tornarem independentes. Teriam que criar uma moeda própria, pois deixariam de estar ligados a Portugal e à Comunidade Europeia. Passariam a precisar de passaporte para viajar até á Europa. Provavelmente acabariam os acordos que permitiriam a muitos açorianos estudar e trabalhar em Portugal e nos restantes países europeus.E mais importante do que isso, acabariam as transferências em dinheiro do governo central colonialista sediado em Lisboa. 

Eu acredito num mundo solidário e justo em que os povos possam afirmar a sua cultura e tradição. como países ou como regiões autónomas. porque o importante é a solidariedade e a partilha entre os povos. Quanto ao resto, não passa de palavreado oco e sem sentido.



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