Aquilino Ribeiro - O Mundo Mágico
O mundo mágico de Aquilino Ribeiro. A escrita de Aquilino, evoca o mundo rural com as suas vivências diárias, as suas crenças e mitos. As relações entre as pessoas e os animais, os termos próprios e únicos para designar coisas, pessoas, animais, entidades e divindades. É uma linguagem mágica e única no panorama da literatura portuguesa. Um realismo mágico , diferente do realismo de outros escritores realistas portugueses como Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol e Manuel da Fonseca. Há uma linguagem própria nos livros de Aquilino Ribeiro. Uma linguagem da terra e das populações que contactam diariamente com a natureza agreste. Palavras mágicas, muito sábias. A interpretação que as pessoas simples fazem do mundo.
As personagens de Aquilino nos seus romances sobre a terra e o meio rural, nomeadamente o Malhadinhas, utilizam uma linguagem própria dos meios rurais. Uma linguagem distante e já perdida no baú do tempo. Mas a arte deste escritor singular que consegue retratar o pensamento e a linguagem de um homem ardiloso e que por vezes se torna violento devido ao seu temperamento impulsivo, num discurso na primeira pessoa que permite perceber de uma forma clara o pensamento da personagem.
Alquimia de palavras. Palavras e termos regionais que se perderam no tempo mas que estão bem presentes na literatura de Aquilino. Um mundo em extinção mas a alma de um povo português humilde e simples mas com verdades associadas à preservação da natureza de onde lhe vêm o sustento diário. Os campos, as serras, os animais e a vegetação. Tudo se conjuga para uma vida harmoniosa com a a natureza que os rodeias e por outro lado um olhar sobre a parte mística. As crenças, e o misticismo sempre enquadrados pela fé religiosa que os homens da Igreja, procuram sempre salientar tentando cativar as almas simples dos aldeões mas também sujeitos ás tentações terrenas.
Aquilino é um mestre da descrição dos costumes do povo, associado á descrição das paisagens rurais, com as suas planícies, campos, florestas, serras e rios, utilizando sempre palavras sedutoras e mágicas que nos conduzem a um território e a um tempo, talvez perdido. Um realismo mágico, verdadeiramente português.
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