sexta-feira, 9 de julho de 2021

 Geografia Pessoal -Almada

Em finais do ano de 1998, fui trabalhar para Almada. Quando fui trabalhar para a margem sul a minha vida alterou-se profundamente. Residi durante cerca de um ano num quarto com uma senhora idosa com uma personalidade curiosa.Divorciada mas com um caso amoroso com um homem casado,tecnico de manutenção de piscinas.  Alguém que tinha conhecido num anuncio de encontros. Mas também tinha aqueles habitos antigos que se vão transmitindo de geração em geração mas que se vão perdendo nos tempos modernos, felizmente, graças a novos habitos de higiene pessoal O habito de penico debaixo da cama que se despeza de manhã é um pequeno exemplo. A alimentação pessoal feita directamente do tacho e da panela, onde se cozinhou é outra.

    Mas antes de Almada, estive 15 dias em Lisboa a residir num quarto de um predio degradado no centro da cidade. No Intendente.Era impossivel ir até à varanda, pois as janelas estavam trancadas com um cadeado, por motivo de segurança, pois a própria varanda já tinha um estado de degradação enorme.E com uma banheira com suportes metalicos ja um pouco enferrujados e com uma estranha cor amarela na caramica branca.Na altura, pensei que poderia ser dos canos enferrujados em que a agua poderia ser daquela cor e deixasse a banhira com aquele tom de cor. Pensamentos masculinos de quem não está habituado a determinados pormenores de limpeza.

    Até que um certo dia de manhã quando ia tomar um banho, encontrei um dos residentes a urinar directamente para a banheira. Bem, pensei eu:-tavez tenha problemas de pontaria e necessite de um espaço maior, para as suas micções matinais.Pelo sim e pelo não, decidi naquele dia mudar de resid~~encia e tentar alugar um quarto em Almada.

    A familia juntou-se a mim, passado um ano. Os meus filhos ainda eram pequenos e a minha mulher pediu uma licença sem vencimento para podermos estar todos juntos e assim, eu também poder dar apoio as actividades familares. Por isso, alugamos um apartamento perto do meu local de trabalho. Um apartamento com habitantes especiais que só descobri passado um mês. Uns animais tímidos que desapareciam quando ligava o interruptor da luz. Baratas. Elas estavam em todo o lado. Nos quartos, na cozinha, casa de banho, enfim eram os habitantes anteriores que não quiseram sair com a nossa entrada na casa. Ma lá tivemos que preparar umas armadilhas para os retirar dos seus «buracos». 

    Até os meus proprios filhos já achavam graça a estas « operaços militares de caça às baratas». O meu  filho mais velho até ja me imitava em determinadas expressões utilizadas durante estas «expedições», com a sua entoação própria «Put... de m....»

    Outro pormenor curioso na casa era o de poder estar à janela e observar o movimento na rua. Eu e a minha mulher, gostavamos de ao domingo ver a chegada dos clientes das matinéesda Incrivel Almadense. AS matinées dançantes, onde apareciam pessoas de todas as idades. Por curiosidade, cheguei a entrar um dia observar a força de viver daquelas pessoas que procuravam ali o convivio e talvez uma nova relação, naquele espaço onde bandas musicais de baile, interpretavam temas antigos que convidavam à dança a dois.

    O centro de Almada era ali perto. E foi ali que pude comemorar o título de campeão do Sporting, passados muitos anos. E as minhas recordações na altura, levavam-me até Coimbra, ao café Brasil do Sr. Silva ( falecido num acidente de automovel e que não pode testemunhar a consagração do campeão) que um dia declarou de forma precisa não pretender aumentar o preço da café, enquanto o Sporting não fosse campeão. Promessa que se manteve, após o seu falecimento, através da sua esposa que passou a gerir o estabelecimento e que se tornou uma espécie de local de romaria nacional de todos os sportinguistas após a conquista do título.

    Em Almada, também tive oportunidade de conhecer e falar com algumas vedetas musicais portuguesas. Uun frequentavam o Tribunal, por diversas vezes, relativamente a problemas diversos e outos frequentavm os cafes e bares da cidade e arredores. A margem sul, no boom musical dos anos 80, lancou muitos grupos. Desde os UHF, Xutos e Pontapes e outros. Por fim, Almada Velha. a zona da cidade, situada na zona alta. Com uma vista espectacular para Lisboa. Descobri essa zona, quando ali cheguei e ia almoçar com os colegas do Tribunal à GNR. Almoços substanciais. E depois na zona do bar, onde iamos tomar café podia disfrutar de um vista previlegiada do rio Tejo, da Ponte 25 de Abril e de Lisboa. A margem sul, também é o Seixal, Montijor tantas outras localidades mas ali perto a atração maior er a praia da Costa da Caparica. A tal, da canção dos Peste e Sida  que « viravam costas a Lisboa e iam para o sol da Caparica». 

  Já voltei a passar por Almada mas nunca mais parei. Que saudades.Principalmente, por causa dos doces momentos de familia que ainda recentemente pude voltar a ver em video. Mas também ha quem diga que não devemos voltar aos sitios, onde fomos felizes.


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