quarta-feira, 12 de junho de 2019

Viagem as ninhas raízes

A  minha viagem de fim de semana a Vinhais, no coração transmontano, foi uma procura das minhas raízes e uma pequena homenagem ao meu pai Valdemar.Quando era criança e jovem, o meu pai contava-me muitas historias sobre as terras de Vinhais, Ouzilhão e Romariz.
   Onde viveu com os seus pais e os seus irmãos. Histórias sobre noites passadas à lareira na companhia do seu avô, ou quando vinha à adega buscar vinho para as pessoas que estavam a trabalhar para o seu pai no campo e pelo caminho bebia a sua pinguita, sendo ainda criança.
   Ou as histórias com o seu irmão mais velho, Jaime, criado com a madrinha Branca e que fazia as suas construções em madeira muito bonitas (os antigos legos) mas que o meu pai com o seu génio repentino, por vezes estragava com um grande pontapé e fugia logo de seguida do seu irmão mais velho.
   Tantas histórias que pele boca do meu pai, acabaram por se tornar mágicas para mim, ainda criança. Foi esse espirito que procurei reviver. Todos temos uma geografia de sentimentos. Lugares que nos fazem ou fizeram felizes, nos recordam os nossos familiares .
 Confesso que é a terceira vez que vou a Vinhais. A primeira, era apenas criança e recordo que dormi numa casa em pedra, num quarto por cima de um estabulo, onde os animais passaram a noite a fazer barulho. Na hora da despedida, eu e o meu primo João fizemos uma vénia de despedida à burra que não nos tinha deixado dormir. Da segunda viagem, não me recordo muito. Foi pouco tempo depois do falecimento da minha mãe. O meu pai, o meu irmão mais velho, a minha cunhada e o filho desta, ali estivemos. Mas quem visitámos e com quem falámos varreu-se totalmente da nossa memória.
 Desta vez, fiz a viagem sozinho e procurei desta forma homenagear o meu pai Valdemar. Levei  fotografias da primeira viagem e procurei saber onde ficava a casa dos meus avôs, Gabriel e Sara.
  falei com vários residentes e por sorte nesse fim de semana, havia um almoço e jantar de angariação de fundos para as festas de Ouzilhão. Entre eles, o Sr. Luís, residente em Romariz que me falou do meu primo Marcelino Rijo ( filho do irmão do meu avô Gabriel). Fui ter com ele à aldeia de Romariz. E falou-me de onde viveram os meus avôs e o meu pai, e onde viveu também o meu tio Jaime ( criado pela madrinha Branca)..Acabei por ir ver as casas onde viveram  no lugar do Fontão ( dentro da aldeia de Ouzilhão). Já abandonadas e em grande estado de degradação, com muitas pedras no chão.Contaram-me histórias do meu tio Jaime, um homem bastante popular ali na aldeia de Ouzilhão. Com muitas histórias rocambolescas ,e divertidas. E que regressava à aldeia de forma regular, apesar de viver em Espanha para onde fora trabalhar e fugira com a minha tia Edite.
Em relação ao meu pai e aos meus avôs Gabriel e Sara, os habitantes mais velhos não se recordam tanto, pois eles vieram viver para Coimbra, ainda relativamente novos.
Ainda em relação ao meu pai, e no que respeita a viagem sentimental, visitei o exterior da igreja dos jesuítas de Vinhais e onde funcionava o seminário que o meu pai frequentou até um certo dia , em que os padres lhe puseram as malas na porta da entrada e não o deixaram entrar. o motivo da expulsão do seminário, o meu pai nunca soube explicar, embora tivesse a suspeição que não cumpriu alguns preceitos relacionados com a religião quando ia passar o fim de semana a casa,
ainda fui à fronteira de Quintanilha, ponto de fugida de muitos emigrantes portugueses para o esrangeiro, nomeadamente França, atravessando terras espanholas.
  Historias de outros tempos, As minhas raízes, O meu pai Valdemar, o meu tio Jaime e os meus avôs Gabriel e Sara. historias de tempos em que se contavam histórias fantásticas à lareira, para enganar o sono e a solidão e o isolamento, Mas em que as pessoas e as crianças da época, eram felizes de uma forma diferente. E o  meu pai, um grande amigo, soube-me transmitir essa imagem.O gosto pela terra onde ele foi criança. Consigo até imaginar, o jovem Valdemar a brincar naquelas aldeias de Ouzilhão e Romariz com outras crianças, como o meu tio Jaime. Raízes. aquilo que nos identifica como pessoas.




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