Como sá arranjei bilhete para Paris, no comboio que saía de Berlim ao fim da tarde, só iria chegar à capital francesa no outro dia de manhã. Assim, enviei um e-mail para a pousada, comunicando-lhes que só ali iria pernoitar nas últimas 4 noites.
Assim fiz a viagem de noite e cheguei a Paris de manhã bem cedo à gare de Austerlitz.Tomei um pequeno almoço francês tradicional (croissants e leite) e informei-me junto do empregado, qual a melhor forma de chegar à zona de Montmartre, onde se localizava a pousada.
Ele explicou-me que a melhor forma seria indo de metro que era o transporte mais rápido e que percorria práticamente toda a cidade.
Tinha toda a razão, como acabei por entender nos dias seguintes. Ao 2º e terceiro dia, percorria a cidade de Paris de forma fácil e eficiente. Apenas um reparo ao metro. As estações e os respectivos acessos eram locais escuros e assustadores. Comparado com o metro de Lisboa, o metro parisiense ficava em desvantagem.As estações, carruagens e respectivos acessos, fizeram-me lembrar as estações do metro de Lisboa, dos anos 70 e 80. Mas provávelmente é uma questão de opções. As autoridades parisienses terão apostado no desenvolvimento de outros serviços, ao contrário das autoridades lisboetas. E com custos e desvios orçamentais exagerados. Não nos podemos esquecer dos problemas da estação de metro do Terreiro do Paço.
Quando cheguei à zona do Pigalli, sobranceira à colina de Montmartre e onde ficava a pousada, senti-me por alguns instantes, chegado a uma feira internacional. Africanos, indianos e chineses, tranformavam aquela zona num auténtico comércio de rua sem fronteiras. E claro que havia turistas percorrendo as ruas, onde o comércio de produtos baratos dominava.Desde o comerciante marroquino de tapetes, à vendedora de incenso indiana, até ao comerciante africano de artesanato, de tudo ali se encontrava.
Na pousada, fui atendido por uma simpática francesa que declarou ter recebido o meu e-mail. Fiz o pagamento de todas as noites que tinha feito reserva, tendo em seguida levado as bagagens para o meu quarto.Mais uma autênticsa desilusão.O quarto ficava junto a um pátio interior e a limpeza do mesmo não era muito satisfatória. Felizmente, deram-me lençóis lavados.Naquele quarto com oito beliches, conheci 4 vietnamitas muito simpáticos e que falavam essencialmente francês e um jovem americano bastante simpático. Uma outra menina americana que viajava sózinha e que apareceu posteriormente e com quem apenas troquei algumas palavras circunstanciais mas que também parecia horrorizada com o quarto. Por ali também estava um inglês semi-arrogante e com o qual não tive grandes conversas, pois a empatia entre os dois foi nula desde o início.
Teve o azar de o meu beliche ficar por cima do dele. Não deve ter gostado mas como se diz na minha terra «temos pena...». Enfim, problemas existenciais de alguns destes súbditos do reino de Sua Majestade.
Aproveitei logo neste primeiro dia para ir dar uma volta. Tirei mais fotografias à linda igreja do Sacré-Coeur que é um monumento único e sublime, situado numa zona linda e romântica da cidade de Paris.Uma espécie de bairro típico, onde se encontram artistas, intelectuais, comerciantes de antiguidades e outras pessoas que provávelmente encontram ali um pequeno refúgio.Uma zona de Paris, que só descobri uns dias depois. Depois conto.
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