sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

InterRail- 5- A caminho de Nice

    Deixei Barcelona no dia 12 de Agosto, tendo como destino a cidade de Nice. Mas seria um dia inteiro em viagem, utilizando vários comboios e acabando por chegar à bonita cidade de Cote-d-Azur já em pleno horário nocturno.
    O primeiro comboio em que segui viagem, levar-me-ia à localidade de Cerbere já em território francês.Uma pequena vila junto ao mar com uma praia encantadora, onde me entretive a tirar fotografias enquanto devorava uma saborosa baguette.A segunda viagem levar-me-ia até à cidade de Narbonne. Aí mudaria novamente de comboio e iria até Marselha.Nessa viagem conheci umas raparigas portuguesas da zona de Lisboa e que iam em viagem para a Grécia.
     Acabei por chegar a Nice extremamente cansado pela viagem longa. Como já era de noite e não entendi muito bem o folheto que acompanhava a reserva na pousada e sabendo que a mesma ficava fora da cidade, acabei por apanhar um táxi.
     Só no dia seguinte é que iria perceber que deveria ter apanhado o metro de superfície até ao estabelecimento comercial conhecido por "Casino Market" e aí deveria aguardar uma carrinha da pousada que em horários regulares transportava os clientes.
     A pousada era dirigida por ingleses. A língua dominante naquele espaço era o inglês. Os clientes eram praticamente todos ingleses.O quarto que me foi destinado partilhei-o com alguns ingleses. Um senhor de idade mais avançada e de traços orientais, possivelmente de ascendência indiana e que falava perfeitamente o inglês e outros ingleses que foram simpáticos na recepção e que rapidamente me esqueceram e voltaram à conversa que eu tinha interrompido sobre informática e novas tecnologias.
    Arrumei as minhas coisas e tomei um bom banho revigorante.Quando saí do banho, estava sozinho no quarto. Apareceram dois jovens de nacionalidade argentina. Pouco simpáticos, ao princípio. Penso que não gostavam muito de ingleses( porque será?) e devem ter pensado que eu era mais um " bife". E efectivamente, com o meu perfil, desde que não abrisse a boca passava por um perfeito inglês.
    Quando se aperceberam que eu era português, ofereceram-me bebidas e trocámos algumas palavras cordiais.
    Um episódio caricato naquela pousada. Pelas 0 horas, ter-se-ia que fazer silêncio.Os ingleses consumiam bastante cerveja.Em grupos ruidosos, conversavam. Pelo meio, um funcionário da pousada percorria "religiosamente" o espaço envolvente e fazia o sinal sonoro de silêncio (ssh ssh), a todos os que encontrava e entendia estarem a ultrapassar o número de decibéis permitidos naquele local.Sentado num banco de jardim da pousada, contemplava aquelas cenas surreais e cómicas. Ele aparecia por detrás das pessoas e apenas emitia o sinal sonoro de silêncio, conhecido mundialmente. Alguns meninos e meninas  inglesas ficavam surpreendidos. Outros apenas sorriam.
   Este homem é o que em Portugal, chamamos de "cromo", pensei.Apesar de a noite estar bastante agradável, sentia-me um bocado sozinho. E percebi logo o motivo. Estava numa pousada longe do centro. Tinha criado o hábito de ir dar uma volta, quando chegava a um determinado local. Como aquela pousada ficava numa zona residencial e longe do centro, eu não poderia ir dar o meu passeio higiénico. Até poderia mas não seria a mesma coisa (mania dos anúncios).
 Fui-me deitar por volta da meia noite. Adormeci rapidamente. O cansaço era bastante grande e precisava de retemperar forças para o dia seguinte visitar a pérola do mediterrâneo.

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