No dia 10 de Agosto, levantei-me cedo. Era o dia de me despedir da capital espanhola.Fui de autocarro até à estação de Atocha, onde iria apanhar o comboio para Barcelona.Ao chegar à estação, não pude deixar de pensar nas vítimas e no horror dos atentados bombistas que ocorreram naquela estação há alguns anos atrás.
A viagem para Barcelona decorreu rapidamente, utilizando o comboio rápido que serve estas duas cidades espanholas. Cheguei a Barcelona ao início da tarde. Uma vez mais, cheguei à pousada , com base nas indicações dadas pelo documento de reserva antecipada que fiz via Internet. Por isso, não tive dúvidas sobre qual a estação de metro onde deveria descer para chegar à referida pousada.
A pousada ficava numa transversal de uma rua central bastante movimentada da cidade catalã. As Ramblas.Como pude verificar, o movimento nas ruas era bastante intenso. Muitos turistas percorriam as ruas daquela zona da cidade. Pequenos comércios de artesanato ocupavam a zona central da avenida. Quando cheguei à pousada, apercebi-me que a mesma era frequentada por uma população bastante jovem.Óptimo.-pensei. Depois de me ter sido indicado o quarto colectivo que iria ocupar apanhei a primeira desilusão desta viagem.
O beliche superior que me estava destinado tinha os lençóis relativamente sujos.(acho que estou a ser pouco exagerado, embora não soubesse explicar a que se devia aquela sujidade num tom vermelho-acastanhado). Eu sabia que a contrapartida para os baixos preços praticados por estas pousadas, era de que determinadas comodidades, como mudas de lençóis e outras eram extintas.
Mas pensei, aquilo era demais.E se quisesse uma muda de lençóis teria de pagar um valor extra por esse serviço.Já tinha consultado a tabela que estava exposta num local visível da recepção.
Então tive que me desenrascar, como diz o ditado popular.Como o beliche de baixo tinha lençóis aparentemente lavados e estava desocupado, procedi a uma troca dos mesmos.
E fiz-lo na altura certa. Pouco depois chegou uma rapariga argentina que iria ocupar o outro beliche. Troquei algumas palavras com ela e pensei que ela iria ficar aborrecida com o aspecto dos lençóis.Mas não apresentou preocupação e mais tarde percebi o motivo.Trazia o seu saco-cama, onde poderia ficar bem aconchegada e sem problemas com eventuais situações de falta de higiene.
Falámos sobre os nossos países e sobre as nossas viagens. Acabámos por combinar de forma superficial um programa conjunto para visitar alguns locais de interesse de Barcelona.
Conheci ainda duas meninas de nacionalidade alemã e com quem também troquei algumas palavras, em inglês.No meu péssimo inglês.Mas penso que nos entendemos. Pelo que entendi, as meninas estavam a adorar Espanha mas já estavam com saudades de casa. Uma delas disse-me uma frase que ficou na minha memória.«My house is my castle.». Óptimo. Mas estavam muito contentes com a simpatia dos espanhóis que contrastava com a frieza alemã.Outro mito que circula por aí-pensei eu.Embora nesta viagem que efectuei nunca tenha sentido antipatia das pessoas residentes.O saberem que eu era português não alterou a atitude das pessoas.
-E porque deveria alterar?Nada.Mas lá estou eu com o meu complexo de pertencer a um país mais pobre e subdesenvolvido e que deverá ser comum a outro meus compatriotas.Mas porra, agora somos membros da comunidade europeia.E há já alguns anos, com todos os benefícios e eventuais prejuízos.Enfim, por hoje chega de divagações e vamos conhecer Barcelona.
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